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sábado, 14 de fevereiro de 2015

As Aparições de Nossa Senhora á vidente Estelle Faguette em Pelevoisin - (França) - 1876

14 DE FEVEREIRO - ANIVERSÁRIO DAS APARIÇÕES DE PELLEVOISIN - DE NOSSA SENHORA DAS ROSAS À VIDENTE ESTELE FAGUETTE

FILME: VOZES DO CÉU 18 
AS APARIÇÕES DE COTIGNAC E PELLEVOISIN AMBAS NA FRANÇA
EDIÇÃO E NARRAÇÃO DE MARCOS TADEU
VIDENTE DOS SAGRADOS CORAÇÕES UNIDOS 
DAS APARIÇÕES DE JACAREÍ-SP-BRASIL
TELEFONE DO SANTUÁRIO 0XX12 99701 2427

 

Áudio sobre a história das Aparições em Pelevoisin-França-1876

Gravado por Marcos Tadeu Teixeira vidente dos Sagrados Corações Unidos 

das Aparições de Jacareí-SP-Brasil


O Santuário de Nossa Senhora de Pellevoisin 


Nossa Senhora
de 
Pellevoisin


A vidente

Estela Faguette nasce em 12 de Setembro de 1839. É ela que, aos 11 anos, na aldeia onde nasceu, leva o pendão de Nossa Senhora na procissão que festeja a proclamação do Dogma da Imaculada conceição, proclamado por Pio X em 8 de Dezembro de 1854. Ninguém imagina que, 22 anos depois, será ela que irá ser encarregada de proclamar as glórias de Maria no mundo inteiro.
Quando Estela tem 14 anos, o pai, devido aos negócios que correm mal, está na miséria. A família desloca-se para Paris e é Estela quem tem de ajudar materialmente o pai. Frequenta as Irmãs de S. Vicente de Paulo e a sua devoção a Maria é já bem visível. Aos 17 anos, entra para a congregação das irmãs Agostinhas de Hôtel-Dieu onde permanece três anos, dedicando-se aos mais necessitados. Ao fim deste tempo, tem de deixar a vida religiosa para de novo vir em auxílio dos pais. Vai servir para casa da família De La Rochefoucauld. A condessa encontra nela todas as qualidades para lhe entregar todo o tipo de responsabilidades.
Os condes, na estação quente, deixam Paris e vão instalar-se na sua casa de verão a três quilómetros de Pellevoisin, pequena aldeia dos arredores de Châteauroux.



Vidente Estelle Faguette aos pés de Nossa Senhora em Pellevoisin
Casa da Vidente Estelle Faguette - local das Aparições

Casa da Vidente Estelle Faguette - local das Aparições


Capela de Pellevoisin

Túmulo da Vidente Estelle Faguette
15 aparições da Virgem a Estelle Faguette, em 1876

Primeira Aparição de Nossa Senhora à Vidente Estelle Faguette
Primeira aparição

14 de Fevereiro de 1876: Aparição do demônio e, depois, da Virgem.
Desde há meses que Estela luta contra um grave tuberculose, rodeagrata à condessa "a quem devo um pouco da minha resignação." Ela que dizia tantas vezes: "Minha pobre Estela, para sofrer assim tanto tempo, mais valia que Deus vos levasse, porque tudo leva a crer que nunca vos haveis de curar".
O sacramento da Extrema Unção dá-lhe uma serenidade total: "Nesse dia fiquei mais calma e disse muitas vezes: meu Deus, vós sabeis melhor que eu o que me é preciso, fazei o que vos agradar, apenas concedei que eu faça o meu sacrifício generosamente".
Aparição de Satanás
Na noite de 14 de Fevereiro de 1876, está esgotada. É perto da meia-noite. Uma personagem sinistra "de noite à procura da caça", apresenta-se junto da cama da moribunda; quer aproveitar-se do seu extremo cansaço.
Ela mesma conta: "De repente, o diabo apareceu ao pé da minha cama. Ó! Como tive medo. Era horrível, fazia-me caretas quando me apareceu a Virgem do outro lado da cama".
"Maria traz na cabeça um lenço muito branco"
Diz a Satanás:
Que fazes aqui? Não vês que Estela está revestida da minha libré (escapulário).
E tu, Estela, não tenhas medo, sabes bem que és minha filha!


A doença de Estela

Os pais de Estela vêm instalar-se em Pellevoisin em 1866. Ficam mais perto da filha que acompanha sempre a família de La Rochefoucauld a Poiriers-Montbel, durante a estação quente. Ficará mais barato viver em Pellevoisin do que em Paris. Quando a doença de Estela se agrava no Outono de 1875, a condessa atrasa o sua ida para a cidade.
Em Fevereiro de 1876, assuntos importantes esperam-na em Paris. Não pode demorar mais. Arranja uma casa perto da igreja e do cemitério de Pellevoisin onde instala confortavelmente Estela. Os pais Faguette, que moram em Pellevoisin desde há dez anos, vêm morar com a filha; poderão assim prestar-lhe mais facilmente os cuidados de que necessita. O seu estado físico é de tal forma desesperado, que o conde e a condessa compram, antes de partirem para Paris, um lugar no cemitério de Pellevoisim, para a sepultura da sua "criada" tão apreciada.
Em 14 de Fevereiro, o Dr. Hubert confirma as aparências: "Não tem mais que 4 a 5 horas de vida". Estela tem pelo menos a consolação de ver os pais instalados na mesma casa que ela, nos seus últimos momentos.
Estela Faguette não goza pois de boa saúde. Esta fraqueza física não é estranha à sua saída da comunidade com a idade de 20 anos. Os bons cuidados prestados pela condessa de La Rochefoucauld e a força de vontade de Estela triunfam temporariamente: durante onze anos, a sua dedicação é sem falha. Mas eis que em 29 de Agosto de 1875, o Dr. Bucquoy confirma que está gravemente atingida: sofre de "tuberculose pulmonar, de peritonite aguda e dum tumor abdominal." As lesões do pulmão progrediram de tal forma que se tornou contagiosa. O seu estado é tão grave que não pode mais trabalhar.
Estela tem 32 anos e não tenciona capitular tão facilmente. Decide recorrer aos meios extremos. Escreve directamente à Virgem. Entrega a carta à menina Reiter que vai colocá-la no parque do castelo, entre as pedras da gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. A resposta à carta chegará a Pellevoisin na noite de 14 par 15 de Fevereiro de 1876. Foram precisos cerca de seis meses para que a Virgem respondesse à carta de Estela, datada de Setembro de 1875.
Texto integral da carta de Estela Faguette dirigida à Virgem Maria em Setembro de 1875:
"Ó minha boa Mãe, eis-me de novo prostrada a vossos pés. Não podeis recusar ouvir-me. Não esquecestes que sou vossa filha, que vos amo. Concedei-me, pois, pelo vosso divino Filho, a saúde do corpo, para sua glória.
Olhai a dor de meus pais, sabeis bem que não me têm senão a mim como recurso. Não poderei acabar a obra que comecei? Se não puderdes, por causa dos meus pecados, obter-me a cura completa, podereis ao menos obter-me um pouco de força para poder ganhar a vida e a de meus pais. Bem vedes, minha boa Mãe, eles estão em vésperas de ter de mendigar o pão, não posso pensar nisso sem ficar profundamente aflita.
Recordai-vos dos sofrimentos que suportastes, na noite do nascimento do Salvador, quando fostes obrigada a ir de porta em porta pedindo asilo! Recordai-vos também do que sofrestes quando Jesus foi colocado na Cruz! Tenho confiança em vós, minha boa Mãe, se quiseres, o vosso Filho pode curar-me. Ele sabe que desejei vivamente ser do número das suas esposas e que foi para lhe ser agradável que sacrifiquei a minha existência pela minha família que tanto precisa de mim.
Dignai-vos escutar as minhas súplicas, minha boa Mãe, e transmiti-las ao vosso divino Filho. Que Ele me devolva a saúde se for do seu agrado, mas que seja feita a sua vontade e não a minha. Que pelo menos me conceda a resignação total aos seus desígnios e que isso sirva à minha salvação e à de meus pais. Possuís o meu coração, Virgem Santa, guardai-o sempre e que ele seja o penhor do meu amor e do meu reconhecimento pela vossa maternal bondade. Prometo-vos, minha boa Mãe, se me concederdes as graças que vos peço, de fazer tudo quanto de mim depender para vossa glória e do vosso divino Filho.
Tomai sob a vossa protecção a minha querida sobrinha e colocai-a ao abrigo dos maus exemplos. Fazei, ó Virgem Santa, que vos imite na vossa obediência e que um dia possua convosco, Jesus, na eternidade."
Estela Faguette


A sobrinha de Estela Faguette
No final desta carta, Estela coloca sob a protecção de Maria a sua pequena sobrinha.
Estela tinha duas irmãs, uma mais velha 3 anos, Genoveva, e outra mais nova que ela, Agostinha.
Genoveva Faguette Petitot morrre em 24 de Novembro de 1864 com 24 anos, deixando dois filhos: Eugénio morre a 20 de Fevereiro de 1865, com 13 meses.
A menina, Estela Petitot, tem 5 anos quando morre a mãe Genoveva Faguette Petitot.
É nesta altura que Estela Faguette toma a seu cargo a sobrinha que fica a morar com os pais. Estela com o seu salário sustenta o pai, a mãe e a sobrinha, "a pequena Estela", que habitam todos em Pellevoisin. No momento das aparições, Estela Petitot tem 17 anos e Estela Faguette pô-la como aprendiza em Paris, por 18 meses.
Depois desta aprendizagem, a pequena Estela volta a Pellevoisin, para casa dos pais Faguette e aí ficará até aos 22 anos.
Aos 22 anos, deixa a casa e não mais voltará. O lar Petitot, infeliz e desunido, foi para Estela Faguette causa de muita angústia e decepção. Ela que tanto tinha sofrido pela sua querida pequena sobrinha.

Segunda aparição
Maria anuncia três acontecimentos importantes.
O primeiro: durante cinco dias consecutivos, virei ver-te;
O segundo: sábado, morrerás ou ficarás curada;
O terceiro: se o meu Filho te conceder a vida, publicarás a minha glória.
Estela Faguette vai receber a visita de Maria quinze vezes no decorrer do ano de 1876.
As cinco primeiras aparições acontecem em cinco dias consecutivos, e segundo a própria Virgem:
Sofrerás ainda cinco dias, em honra das cinco chagas de meu Filho.
2ª aparição: 14 de Fevereiro de 1876
Maria aparece cinco vezes a meio da noite, em 14, 15, 16, 17, 18 de Fevereiro de 1876. A presença de Satanás que tinha sido importante no dia 14, torna-se cada vez mais discreta nos dias seguintes, de forma que no dia 18, está totalmente ausente. Inversamente, durante este tempo, a Virgem torna-se cada vez mais maternal: "Aproxima-se do meio da minha cama".
Estela: "Estou ainda muito perturbada com os pecados que cometi no passado e que aos meus olhos eram faltas ligeiras."
Virgem Maria:
As poucas boas acções e algumas orações fervorosas que me dirigiste tocaram o meu coração de mãe, estou cheia de misericórdia.
Estela fica estupefacta por ver que o pouco bem que fazemos, compensa a ingratidão das nossas faltas, por causa da bondade de Deus e da sua Mãe Misericordiosa.
Virgem Maria:
Recebi a tua carta. Vais ficar curada.
Terceira aparição
A partir de terça-feira, 15 de Fevereiro 1876, Estela sabe que será curada. Está tão pronta para morrer que fica decepcionada com a notícia.
Estela: "Mas, minha boa Mãe, se pudesse escolher, gostaria de morrer enquanto estou bem preparada."
Virgem Maria:
Ingrata! Se o meu Filho te devolve a saúde, é que tens necessidade. Se o meu Filho se deixou tocar, foi por causa da tua grande resignação e paciência. Não lhe percas o fruto por causa da tua escolha.
Quarta aparição: 16 de Fevereiro de 1876
Virgem Maria:
Essas poucas boas acções e algumas orações fervorosas que me dedicaste, tocaram o meu coração de Mãe; entre outras, essa pequena carta que me escreveste em Setembro de 1875. O que mais me tocou, foi esta frase: vede a dor dos meus pais se viesse a faltar-lhes. Estão em vésperas de mendigar o pão. Recordai-vos que também sofrestes quando Jesus vosso Filho foi posto na Cruz. Mostrei esta carta a meu Filho.
Em 14 de Fevereiro, Estela ouviu dizer-lhe:
Se o meu Filho te der a vida, quero que publiques a minha glória.
Escreve nas suas memórias: "Fiquei surpreendida, quando respondi excitada: mas, como hei-de fazer? Não sou grande coisa, não sei o que poderei fazer."
Quinta aparição: 17 de Fevereiro de 1876, Maria intervém:
Não tive tempo de dizer como fazer (…) Faz todos os esforços.
Sexta aparição: em 18 de Fevereiro de 1876, acrescentou:
Se quiseres servir-me, sê simples e que as tuas acções correspondam às tuas palavras. É possível salvar-nos em todas as condições; onde estás, podes fazer muito bem e podes publicar a minha glória.
O que mais me aflige é a falta de respeito que têm pelo meu Filho na Santa Comunhão, e a atitude de oração que tomam, quando o espírito está ocupado com outras coisas. Digo isto para as pessoas que pretendem ser piedosas. Publica a minha glória, mas antes de falares, espera o conselho do teu confessor e director; terás emboscadas, hão-de tratar-te de visionária, exaltada, louca, não prestes atenção a nada disto, sê fiel, eu te ajudarei.
No fim da aparição de 18 de Fevereiro de 1876:
Estela sofria horrivelmente: o coração batia-me com tanta força que pensava que me ia sair do peito. O estômago e a barriga também me doíam muito. Era-me impossível levantar a mão direita. Depois dum momento de repouso, senti-me bem. Perguntei que horas eram: era meia-noite e meia. Sentia-me curada, excepto o braço direito.
Sétima aparição em 1 de Julho de 1876
Maria:
Calma minha filha, paciência, terás sofrimentos mas eu estou aqui.
Oitava aparição em 2 de Julho de 1876
Maria:
Não temas nada, fica calma.
Nona aparição em 3 de Julho de 1876
Maria:
Queria que ainda ficasses mais calma.
10ª aparição em 9 de Setembro de 1876
Maria:
Ficaste privada da minha visita em 15 de Agosto. Não tinhas suficiente calma. Tens mesmo o carácter do francês: quer saber tudo antes de aprender e compreender tudo antes de saber.
11ª aparição em 15 de Setembro de 1876
Maria:
Vou ter em conta os esforços que fizeste para estares calma. Não é só para ti que o peço, mas também para a Igreja e para a França. Na Igreja não há essa calma que eu desejo.
12ª aparição em 19 de Setembro de 1876
Estela: "Tinha visto sempre aquela pequena coisa sem saber o que era, porque até aí tinha-a visto totalmente branca. Ao levantá-la, vi um coração vermelho que sobressaía muito bem. Pensei imediatamente que era um escapulário do Sagrado Coração."
Maria disse, agarrando-o:
Gosto desta devoção.
13ª aparição em 1 de Dezembro de 1876
Maria trazia mais uma vez o escapulário.
14ª aparição em 8 de Dezembro de 1876
Maria:
Tu mesma vais ter com o Prelado e vais mostrar-lhe o modelo que fizeste. Diz-lhe que te ajude com todo o seu poder e que nada me será mais agradável que ver esta libré em cada um dos meus filhos. Aplicar-se-ão a reparar os ultrajes que o meu Filho recebe no sacramento do seu amor. Vê as graças que derramarei sobre aqueles que o trouxerem com confiança e que te ajudarão a propagá-lo.
15ª aparição em 3 de Julho de 1876.
No final do dia, Estela vê de novo a Santíssima Virgem. Esta chega muito tarde e "não fica senão alguns minutos".
Maria:
Não te fixei a hora a que viria, nem o dia. Não vou ficar senão por alguns minutos.
Maria parece chegar duma recepção importante e quer partilhar a sua alegria com Estela.
Maria:
Vim acabar a festa.
Estela: Não sabia que festa era. Perguntei no dia seguinte ao Prior que me respondeu que era em Lourdes, a coroação de Nossa Senhora de Lourdes.

Reconhecimento pela Igreja
Na verdade, o arcebispo de Bourges, D. de la Tour d'Auvergne, foi o primeiro a reconhecer o escapulário, em 12 de Dezembro de 1876. De seguida, Leão XIII também o reconheceu.
Estela é recebida em audiência por Leão XIII em 30 de Janeiro de 1900. Este papa que, entre 1 de Setembro de 1883 e 8 de Setembro de 1901, publicou 15 encíclicas sobre o Rosário, está bem informado sobre os acontecimentos de Pellevoisin. Aproveita pata pedir detalhes sobre as alusões de Maria relativamente à Igreja e à França.
Em 4 de Abril de 1900, três meses depois da audiência de Estela, a Congregação dos ritos, a pedido do papa, autoriza oficialmente para toda a Igreja, o escapulário do Sagrado Coração, tal como a Virgem o trazia em Pellevoisin.
Bento XV acrescenta:
«Acredito que as origens são boas e podemos dizer que Pellevoisin é um lugar especialmente escolhido pela Virgem para aí derramar as suas graças (17 de Outubro de 1915).

Um ex-voto
Desde a primeira aparição, em 14 de Fevereiro de 1876, a Virgem aponta para que se deverá conservar a memória destas aparições. Ao ver a placa de mármore branco colocada diante dela, Estela Faguette identifica-a como sendo um ex-voto, quer dizer, um testemunho pelo favor obtido. A primeira preocupação de Estela é saber onde colocarão esse ex-voto.
Estela: Mas, minha boa Mãe, onde deveremos colocá-lo? Será em Nossa Senhora das Vitórias em Paris ou em Pellevoi…? Não me deu tempo de acabar Pellevoisin sem que me respondesse:
Maria:
Em Nossa Senhora das Vitórias têm bastantes marcas do meu poder, ao passo que em Pellevoisin não há nada. Têm necessidade de estimulantes.
Tinha nos quatro cantos, botões de rosa em ouro. No cimo estava um coração de ouro inflamado com uma coroa de rosas, trespassado com uma espada.
Eis o que lá estava escrito:

Invoquei Maria do mais fundo da minha miséria. 

Ela obteve de seu Filho a minha cura total.

A humilde Estela Faguette morreu com 86 anos e repousa no cemitério de Pellevoisin, não longe do túmulo de Georges Bernanos. No seu túmulo, duas palavras: "Sê simples".



Pellevoisin, a Lourdes da região do Berry
Nossa Senhora de Pellevoisin manifesta sua misericórdia incomensurável e sua poderosa intercessão junto a Deus, pedindo a propagação de um Escapulário do Sagrado Coração de Jesus
Nelson Ribeiro Fragelli
Imagem representando a aparição

A Santíssima Virgem apareceu 15 vezes, em 1876, na pequena cidade de Pellevoisin, diocese de Bourges, no Berry, centro da França. A vidente, Estelle Faguette, foi miraculada durante as aparições. Gravemente doente, desenganada pelos médicos, sua cura causou espanto e admiração em todo o país.

Estelle nasceu em 1843, de pais muito pobres. Sempre adoentada, levava uma vida simples, de empregada doméstica. Aconselhada por seu confessor, que era pároco da Madeleine, em Paris, passou algum tempo entre as freiras agostinianas, servindo como enfermeira no Hôtel-Dieu, grande hospital da capital. Podia assim, simultaneamente, cuidar dos doentes e ser cuidada. Entretanto sua saúde, cada vez mais fraca, levou-a a interromper o noviciado em 1863.
Sempre muito piedosa, uma religiosa apresentou-a à família La Rochefoucauld, que a empregou no castelo de Poiriers-Montbel, a três quilômetros de Pellevoisin. Para grande alívio de seus pais, ela passou a receber um salário, vital para o sustento da família. Estelle conservou grande admiração por seus patrões. Em sua doença, eles cuidaram dela “com grande dedicação”, segundo suas palavras. A bondade da condessa de La Rochefoucauld consolou-a sempre.
Enferma havia mais de 10 anos, a doença se agravou em junho de 1875. De acordo com declarações de seus médicos — Dr. Benard e Dr. Hubert, ambos de Buzançais –– Estelle sofria de tuberculose, peritonite aguda e de um tumor abdominal. Em 10 de fevereiro de 1876, a morte estava próxima: ela não teria vida por mais do que algumas horas, afirmou o Dr. Benard.
Primeira aparição
 
Estelle Faguette

Ocorreu então a primeira das 15 aparições de Nossa Senhora, na noite fria de 14 a 15 de fevereiro. Já desenganada pelo médico, Estelle esperava resignadamente a morte. Entre orações e lembranças da vida passada, renovava a cada instante o oferecimento a Deus de seu último sacrifício.

De repente, do lado direito de sua cama ela viu uma forma humana horrível, ameaçadora, que agarrou seu leito e o sacudiu violentamente. Estelle não duvidou tratar-se do próprio demônio. Mas o demônio ali presente, no momento da morte? A visão aterrorizante parecia-lhe uma promessa do inferno. Foi tomada de pânico, enquanto a besta humana rugia.
Porém, nesse instante de confusão e terror, Maria Santíssima apareceu, com beleza indescritível, toda de branco, com um longo véu caindo até os pés. Seu olhar se dirigiu à enferma com bondade indizível. Em seguida, fixou o demônio e disse: O que fazes aqui? Não vês que ela está vestida com o hábito que Eu e meu Filho divino lhe demos? Mencionando o hábito, Nossa Senhora se referia à sua medalha, que Estelle sempre usava. O demônio fugiu, não suportando o olhar de Maria.
Nossa Senhora disse então à sua filha: Não tenhas medo! Sabes que és minha filha. Ânimo e paciência. Meu Filho vai se deixar tocar. Sofrerás ainda cinco dias em honra das cinco chagas de meu Filho. Sábado próximo morrerás ou serás curada. Para a cura, Nossa Senhora estabeleceu uma condição: Se meu Filho te conceder a vida, anunciarás minha glória.
Perguntando-se o que poderia significar o anúncio da glória de Maria, Estelle viu junto a Nossa Senhora uma placa de mármore branco, na qual estava gravado o Imaculado Coração de Maria. Vindo-lhe ao espírito a pergunta se deveria colocar essa placa na igreja de Notre Dame des Victoires ou em Pellevoisin, a Virgem lhe disse: Em Notre Dame des Victoires já existem muitas marcas de meu poder. Em Pellevoisin, não. Os fiéis daqui têm necessidade de mais ânimo. Estelle prometeu então fazer tudo pela glória de Nossa Senhora. Nesse instante cessou a visão.
Evidentemente, ela narrou tudo a seu pároco no dia seguinte. Este ouviu pacientemente, mas dado o estado agônico de sua penitente, julgou tratar-se de alucinação.
Segunda aparição
Na noite seguinte, 15 a 16 de fevereiro, o demônio voltou a aparecer. Desta vez ele guardou certa distância, temeroso de aproximar-se da cama, como se um impedimento o retivesse. Mesmo assim, a visão era terrificante. Nossa Senhora logo apareceu, e estabeleceu-se um diálogo com a vidente:
–– Não temas, estou aqui. Meu Filho teve piedade de ti. Serás curada sábado e anunciarás minha glória.
–– Mas, minha Mãe bondosa, já que estou bem preparada, não é melhor que eu morra?
–– Ingrata, se meu Filho te salva, é porque tens necessidade da vida. O que de mais precioso deu Ele aos homens nesta Terra? Ele te conservará a vida, mas não creio que te poupará de sofrimentos. Não, sofrerás e muitas serão tuas penas. O sofrimento dá méritos à vida. Foi tua grande resignação e paciência que tocaram o coração de meu Filho. Não percas o fruto que escolheste.
Nesse instante Estelle viu, uma a uma, suas faltas passadas. Faltas que, no entanto, ela considerava sem importância. Nossa Senhora desapareceu deixando-a imersa em profunda contrição, pois compreendeu que mesmo os pecados veniais são severamente detestados por Nossa Senhora.
Terceira aparição

 

Oratório onde Estelle deixou a carta para Nossa Senhora
Na terceira aparição o demônio ainda precedeu Nossa Senhora, mas estava ainda mais distante de Estelle, que o viu vagamente, discernindo sobretudo seus gestos de ódio.

Com a recordação muito viva dos pecados vistos na noite anterior, Estelle foi tomada de temor em presença da Imaculada, que no entanto a tranqüilizou: Ânimo, minha filha, tudo isso passou, tua resignação resgatou tuas faltas passadas. Maria lhe fez ver seus atos de virtude e falou-lhe dos grandes desejos que lhe vão no coração: a santificação dos bons; a conversão dos pecadores; a prática da bondade e da amenidade de uns com os outros. E acrescentou: Sou toda misericordiosa, obtendo tudo de meu Filho. Tuas boas ações e fervorosas orações tocaram meu Coração materno. Na pequena carta que me escreveste em setembro, sobretudo esta frase tocou-me particularmente: ‘Vede a situação de meus pais, caso eu venha a morrer. Eles teriam que pedir esmolas. Lembrai-vos de vossos sofrimentos quando vistes Jesus, vosso Filho, cravado na cruz’. Mostrei essa carta a meu Filho. Teus pais necessitam de ti. De agora em diante, trata de ser fiel. Não percas as graças que te são dadas, e anuncia minha glória.
Quarta aparição
Uma quarta vez apareceu-lhe Maria, entre 17 e 18 de fevereiro, repetindo o que anteriormente lhe dissera. Nossa Senhora parecia querer deixar bem claro a recomendação deanunciar sua glória, e para isso torna a dizer-lhe: Faze todo esforço.
Quinta aparição
Na sexta-feira, 18 de fevereiro, o estado de saúde de Estelle tinha se agravado muito. Pe. Salmon, seu confessor, julgando-a no extremo da vida, dispõe-se a ouvir sua confissão. A enferma se recusou, dizendo que só se confessará depois de sua cura, que ela espera para o dia seguinte. O Padre se retirou, certo de que seria chamado durante a madrugada para assistir a moribunda. Tal não aconteceu.
Às seis horas da manhã o Pe. Salmon foi ver Estelle. Encontrou-a ainda no leito, e, para sua surpresa, viva. Celebrou a Missa em seu quarto, na presença de outras pessoas. Terminada a Missa, perguntou a Estelle como se sentia. Ela fez o sinal da Cruz, com o braço direito inteiramente cicatrizado, levantou-se e vestiu-se sozinha, radiante de saúde. Toda a cidade de Pellevoisin foi vê-la. Os médicos que a julgaram condenada atestaram sua cura total e completa. O atestado do Dr. Bucquoy, da Academia de Medicina de Paris, foi decisivo para a comissão que em 1877 examinou o caso. E a cura não foi passageira, Estelle viveu em boa saúde até a idade de 86 anos.
Mas o que se dera durante a noite? Nossa Senhora aparecera mais uma vez, postando-se bem mais próximo do leito de Estelle. A placa de mármore também fez parte desta visão, mas agora com uma inscrição: Invoquei Maria no auge de minha miséria, e Ela obteve de seu Filho minha cura total. Seguia-se a assinatura: Estelle F. Um coração traspassado por um gládio e cercado de rosas aparecia na parte superior. Estelle prometeu a Maria lutar sempre por sua glória. Nossa Senhora lhe recomendou: Se queres servir-me, sê simples; e que teus atos correspondam às tuas palavras”.
Estelle perguntou-lhe se deveria tornar-se religiosa, e a Virgem respondeu: Pode-se salvar em todas as condições. Podes fazer muito bem e anunciar minha glória tal como és. O que me aflige é a falta de respeito por meu Filho na Santa Eucaristia e a atitude de distração com outras coisas, que se toma na oração. Digo isto para as pessoas que pretendem ser piedosas. Estelle perguntou se deveria transmitir aos outros o que acabava de ouvir, e Maria respondeu: Sim, sim, anuncia minha glória, mas antes de falar, espera conselho de teu confessor e diretor espiritual. Sofrerás ciladas, tratar-te-ão de visionária, de exaltada, de louca. Eu te ajudarei.
Pedido de conversão

 
Escapulário recomendado por Nossa Senhora
Uma vez curada, Estelle lançou-se ao trabalho pela glória de Maria, tal como Ela lhe havia pedido. Afligindo-se com suas imperfeições na execução desse santo trabalho, Nossa Senhora apareceu-lhe uma sexta vez, durante a oração do Rosário: Calma, minha filha. Paciência. Terás sofrimentos, mas estarei sempre aqui.

Na festa da Visitação da Santíssima Virgem, 2 de julho, Nossa Senhora lhe apareceu pela sétima vez, às 23:30h. A Mãe de Deus estava cercada de rosas de todas as cores, particularmente brancas, vermelhas e amarelas. Foram três curtas aparições, parecendo simbolizar os três terços do Rosário. Tens anunciado minha glória. Continua. Meu Filho tem almas prediletas. Seu Coração tem tanto amor pelo meu, que nada lhe recusa. Por meu intermédio Ele tocará os corações mais empedernidos.
Estelle queria ainda pedir um sinal do poder da Santíssima Virgem, mas não conseguia exprimir-se adequadamente. Nossa Senhora, lendo-lhe o pensamento, disse: Tua cura não é uma das maiores provas de meu poder? E acrescentou: Vim para a conversão dos pecadores.
A necessária paz de alma
No dia seguinte Nossa Senhora apareceu mais uma vez, cercada de rosas. Estelle a esperava com certa agitação, e Nossa Senhora a repreendeu docemente: Gostaria que fosses mais calma. Eu não tinha marcado dia nem hora em que voltaria. Necessitas de repouso. Ficarei apenas alguns minutos.
A nona aparição deu-se em 9 de setembro. Nossa Senhora insistiu ainda sobre a calma e a tranqüilidade de alma. “Foste privada de minha presença em 15 de agosto, porque não tinhas suficiente calma. Tens bem o caráter francês, que deseja saber tudo em lugar de aprender, e compreender tudo antes de saber. Ainda ontem eu quis vir, mas tiveste que ficar sem minha presença. Esperava de ti este ato de submissão e de obediência. Há muito tempo os tesouros de meu Filho estão abertos”.
Nesse instante Nossa Senhora lhe deu o escapulário do Sagrado Coração de Jesus, tirando-o de seu peito: Tenho predileção por esta devoção, e nela serei honrada. Nossa Senhora, apóstola da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, trazia consigo esse escapulário, e nos recomendou o coração que tanto amou os homens. A Virgem Santíssima portava também esse escapulário quando apareceu pela décima vez, e não o deixará mais. Eram três horas da tarde, soaram as Vésperas, e Ela disse antes de desaparecer: Que todos rezem.
A décima primeira aparição se deu em presença de 15 pessoas. Era uma sexta-feira, 15 de setembro. Nossa Senhora apareceu com as mãos juntas, em oração. Sei que fizeste grande esforço para conservar-te calma. Não é apenas para ti que peço a calma, mas para toda a Igreja e a França. A Igreja não goza dessa paz que eu desejo. Após profundo suspiro, acrescentou: Que todos rezem e tenham confiança em mim. França — o que não fiz por ela? Quantas advertências! E assim mesmo ela recusa ouvir. Não posso mais conter meu Filho. E terminou acentuando especialmente estas palavras: A França sofrerá.
Futuros sofrimentos

 
Santuário em Pellevoisin
Passaram então diante dos olhos de Estelle vários quadros nunca antes vistos: soldados em uniforme azul, desconhecidos dela, usando capacetes “em forma de caldeirão”, segundo sua expressão. Estavam entrincheirados. Mais tarde, em 1914, durante a Grande Guerra, ela reconheceu aqueles soldados.

Num segundo quadro, ela via combates de rua entre civis e soldados. Maria lhe disse então: Coragem e confiança. Tanto pior para os que não acreditarem. Eles reconhecerão mais tarde a veracidade de minhas palavras.
Na aparição de 1º de novembro de 1876 (décima segunda), não houve palavras. Maria manifestou apenas terna bondade em relação à vidente. A seguinte aparição (décima terceira) se deu em presença de uma religiosa, enquanto Estelle rezava o terço: Eu te escolhi. Escolho os pequenos e fracos para minha glória. Coragem: o tempo das provas vai começar. Dito isto, a Virgem cruzou os braços sobre o peito e desapareceu.
Na décima quarta aparição, Nossa Senhora lhe falou no sábado, 11 de novembro de 1876, por volta das 4 horas da tarde, em presença de cinco pessoas, quanto ela rezava seu Rosário. Nossa Senhora lhe disse: Não perdeste teu tempo hoje; trabalhaste por mim. De fato, Estelle tinha bordado um escapulário, e a Virgem acrescentou: É preciso fazer muitos outros.
Difusão do escapulário

 
Imagem e círio vocativo

A festa da Imaculada Conceição foi escolhida por Nossa Senhora para sua 15ª e última aparição. Foi a mais importante de todas, tendo-se dado perante 15 pessoas. Pouco depois de meio-dia Estelle foi a seu quarto, agora transformado em oratório, com permissão do bispo. Nossa Senhora lhe apareceu mais bela do que anteriormente, cercada de rosas: Minha filha, lembra-te de minhas palavras.De todas as palavras de Nossa Senhora, as que mais marcaram Estelle naquele momento eram: Sabes que és minha filha. Eu sou toda misericórdia e senhora de meu Filho. O que mais me aflige é a falta de respeito por meu Filho na Santa Comunhão e a atitude de distração com outras coisas, que se tem na oração. Seu Coração tem tanto amor pelo meu, que nada lhe recusa. Por meu intermédio Ele tocará os corações mais empedernidos. Vim especialmente para a conversão dos pecadores. Há muito tempo os tesouros de meu Filho estão abertos. Que rezem. Tenho predileção por esta devoção. Aqui serei honrada. Não é apenas para ti que peço a calma, mas para toda a Igreja e a França. Eu te escolhi. Escolho os pequenos e fracos para minha glória. E recomendou: Repete-as sempre. Que elas [as palavras] te fortifiquem e te reconfortem na hora da provação. Não me reverás mais.
A vidente mostrou-se perturbada por estas últimas palavras. Nossa Senhora acrescentou então de modo profundamente materno: Estarei invisivelmente a teu lado. Estelle viu então ao longe, à esquerda da visão, pessoas com gestos ameaçadores. Mas também, em outro plano, pessoas que pareciam boas. Maria, referindo-se ao grupo da esquerda, disse: Não os temas. Eu te escolhi para dar-me glória e propagar esta devoção. Estelle, vendo que Nossa Senhora segurava o escapulário, pediu-o como presente, e a Virgem ordenou: Levanta-te e oscula-o. Tendo feito o que a Virgem lhe disse, exclamou: Osculei verdadeiramente um coração de carne, senti o calor e as pulsações.
Nossa Senhora lhe disse então para apresentar ao bispo aquele modelo de escapulário, e exprimiu o desejo de que todos o portem, a fim de reparar os ultrajes sofridos pelo Santíssimo Sacramento. Em sinal das graças dadas aos que o portam, Nossa Senhora fez cair de suas mãos uma chuva abundante: Essas graças são de meu Filho. Colho-as em seu Coração. Ele não pode me recusar.
Estelle perguntou o que conviria representar do outro lado do escapulário, e ouviu esta resposta singular: Quero que tu decidas. Submeterás tua idéia, e a Igreja decidirá. E afastando-se, acrescentou: Coragem. Se ele não conceder o que pedes (Nossa Senhora se referia ao bispo) e puser dificuldades, irás além. Nada temas, eu te ajudarei.
Com estas palavras, Nossa Senhora encerrou as aparições.
Reconhecimento da Igreja

 
Papa Leão XIII

Ainda em 1876, com licença eclesiástica, o quarto das aparições foi transformado em oratório, e pouco depois em capela. No ano seguinte foi erigida aConfraria da Mãe de Todas as Misericórdias, elevada à dignidade de Arquiconfraria em 1894, por Leão XIII. O mesmo Papa ofereceu um círio a essa capela, concedendo indulgências aos peregrinos. Em 1904, o Cardeal Merry del Val ofereceu a São Pio X um livro recentemente publicado sobre as aparições. O Pontífice enviou sua bênção em testemunho de sua acolhida favorável, e também recebeu Estelle em março de 1912. Em 1922, Pio XI concedeu aos párocos de Pellevoisin o poder de impor o escapulário do Sagrado Coração de Jesus (nona aparição), bem como o de conceder indulgências. Em 1979, o Cardeal Ciappi OP, mestre do Palácio Apostólico, entregou a João Paulo II o livro sobre o centenário das aparições. Em 1983, a comissão teológica que analisou os relatórios médicos a respeito da cura de Estelle concluiu seus trabalhos. O arcebispo de Bourges, Dom Paul Vignancour, com base nessas conclusões, reconheceu oficialmente o milagre, um grande milagre.



14 de Fevereiro

Cinco anos depois da aparição da Virgem Maria em Pontmain, Ela tornou a ser vista na França. A escolhida foi Estrela Faguette, uma serviçal do palácio dos condes da La Rochefoucauld, situado no pequeno vilarejo de Pellevoisin. Cristã fervorosa, aos dezoito anos ouviu ingressou na Ordem das Agostinianas Hospitaleiras. Mas dois anos depois, em 1863, por motivo de doença foi obrigada a sair do convento.


No ano seguinte, foi contratada para trabalhar no palácio e a cuidar da educação de crianças. No início de 1876, Estrela, então com trinta e três anos, agonizava no leito vitíma de tuberculose pulmonar e óssea.


Na noite de 14 de fevereiro, sentindo a morte se aproximar, implorou à Deus forças para aceitá-la, pois deixaria seus pais e um primo sem proteção. Como em uma alucinação viu uma criatura horrível no pé de sua cama. Não teve tempo de se aterrorizar, porque no mesmo instante, a Virgem Maria lhe apareceu com uma grinalda de rosas e um escapulário no peito. A criatura era o próprio anjo caído que sumiu ante a presença da Mãe de Deus.

Nossa Senhora lhe disse para ter coragem e paciência, pois seu filho Jesus estava cuidando especialmente dela. Antecipou à Estrela que sofreria por mais cinco dias, em honra das cinco feridas de seu amado Filho. Passado o tempo previsto, Estrela foi totalmente curada. Foram quinze aparições, como os Mistérios do Rosário, de 14 de fevereiro até 08 de dezembro, dia de celebração da Imaculada Conceição de Maria.

Deixou várias mensagens:

'Eu sou toda misericórdia e senhora de meu Filho';

'O coração do meu Filho me ama tanto que não pode refutar nenhum dos meus pedidos';

'Os tesouros de meu Filho estão abertos à todos';

'Eu recomendo a paz, não apenas para você, mas para a Igreja e para a França';

'Vim para a conversão dos pecadores';

'Escolhi os pequenos e os fracos'...

Na última aparição, permitiu que Estrela se aproximasse para beijar o escapulário que trazia no peito e lhe assegurou com estas palavras: 'Tu não me verás mais, mas estarei invisível sempre perto de ti'. Em seguida, lhe confiou a missão de ir até o Papa Leão XIII e conseguir sua ajuda para difundir a devoção do escapulário do Sagrado Coração de Jesus, semelhante àquele que beijara.




Somente em 1900, a vidente Estrela Faguette foi convocada para uma audiência com o Papa Leão XIII, que autorizou o culto ao escapulário.


A mensagem de Nossa Senhora de Pellevoisin foi toda centrada na mediação misericordiosa de Maria, enquanto se revelou toda Mãe e Misericórdia para nós míseros pecadores.


O lugar das aparições em Pellevoisin é hoje a capela do convento das Irmãs Dominicanas, meta de peregrinação dos cristãos e devotos marianos do mundo todo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

21 DE NOVEMBRO - A APRESENTAÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA NO TEMPLO - LIVRO MÍSTICA CIDADE DE DEUS


LIVRO MÍSTICA CIDADE DE DEUS 

Segundo Livro - Capítulo 1

CAPÍTULO 1

A APRESENTAÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA NO TEMPLO AOS TRÊS ANOS DE IDADE

A arca da aliança, figura de Maria Santíssima

413. Entre as figuras que, na lei escrita, simbolizam Maria Santíssima, ne­nhuma foi mais expressiva que a Arca do Testamento.
A matéria de que era feita, o que continha, o fim para o qual servia, o que por ela e com ela operava o Senhor naquela antiga Sinagoga. Tudo era um esboço des­ta Senhora e do que por Ela e com Ela realizaria em a nova Igreja evangélica.
O cedro incorruptível (Êx 25,10) de que - não por acaso, mas por divina disposição - foi construída, representa expressamente nossa arca mística, livre da corrupção do pecado atual e da oculta carcoma do original, com seu inseparável fontes e paixões.
O finíssimo e puríssimo ouro (Idem, 11) de que era revestida, por dentro e por fora, indubitavelmente significava a mais perfeita elevação da graça e dons que em seus divinos pensamentos, ações e costumes resplandecia.
Interior e exteriormente, foi im­possível divisar nesta arca, parte, tempo ou instante, em que não estivesse toda repleta e revestida de graça, e graça de subidíssimos quilates.


Maria, escrínio de Deus

414. As tábuas da lei, feitas de pedra, a urna do maná (Hb 9,4) e a vara dos prodígios, que aquela antiga Arca continha e guardava, não poderiam sim­bolizar com maior exatidão o Verbo humanado. Encerrado na arca viva de Maria Santíssima, foi seu Filho unigênito a pedra fundamental (ICor 3,11) e viva do edifício da Igreja evangélica; a pedra angular (Ef 2,20)que uniu dois povos tão opostos, como o judeu e o gentio.

Para isso foi cortada do monte (Dn 2,34) da eterna geração, gravada pelo dedo de Deus com a nova lei da graça, e depositada na arca virginal de Maria. En­tenda-se, portanto, que esta grande Rainha se tornou a depositária de quanto Deus era e fazia com as criaturas. Guardava também consigo o maná da Divindade e da graça, o poder e a vara dos prodígios e maravi­lhas, para que somente nesta divina e mística Arca se encontrasse a fonte das graças, o mesmo Deus, para Dela transbordarem as maravilhas e prodígios do poder divino. Quanto este Senhor é, quer e faz, saiba-se que em Maria está encerrado e depositado.

Maria, propiciatório e trono da graça

415. A tudo isto, era consequente que a Arca da Aliança (Êx 26,34), não pelafigura e sombra, mas pela verdade que simbolizava, servisse de peanha ou sustentáculo ao propiciatório. Neste pusera o
Senhor seu trono e tribunal de misericór­dia, para ouvir seu povo, responder-lhe e
conceder-lhe suas petições e favores.
Assim, em nenhuma outra criatu­ra, fora de Maria Santíssima, colocou Deus seu trono de graça. Não podia deixar de fazê-la propiciatório, uma vez que havia construído esta mística e verdadeira Arca para nela se encerrar.

Deste modo, parece que o tribu­nal da divina justiça ficou reservado a Deus, enquanto o propiciatório e tribunal da misericórdia foram dados a Maria dulcíssima. A Ela, como ao trono da graça, deveríamos ir com segura confiança, apre­sentar nossos pedidos, suplicar benefícios, graças e misericórdias que, fora do propiciatório da grande rainha Maria, nem são ouvidas, nem despachadas para o gênero humano.

Maria, a arca do Novo Testamento, deve­ria ficar no Templo

416. Tão misteriosa e sagrada Arca, construída pela mão do mesmo Se­nhor para sua habitação, e propiciatório de seu povo, não estava bem fora do templo, onde se encontrava guardada a outra arca material, figura desta verdadeira e espiritu­al do Novo Testamento.
Por esta razão, ordenou o Autor desta maravilha, que Maria Santíssima fosse colocada em sua casa, o templo, terminados três anos após seu felicíssimo nascimento.

Verdade é que, com grande admi­ração, vejo muita diferença entre o que sucedeu com aquela primeira e figurativa Arca, e o que acontece com a segunda e verdadeira.

Quando o rei David trasladou a arca para diferentes lugares, e depois seu filho Salomão a colocou no templo, seu lugar apropriado - ainda que aquela arca não tinha outra grandeza senão a de repre­sentar Maria Puríssima e seus mistérios -foram suas trasladações e mudanças festi­vas e cheias de regozijo para aquele antigo povo. Testemunharam as solenes procis­sões que fez Davi da casa de Aminadab e à de Obededon (2Rs 6,10; 2Par 23; 3Rs 8,5; 2Par 5) e desta ao tabernáculo de Sião (2Rs 12), cidade de Davi. Finalmente, de Sião foi trasladada por Salomão ao novo templo que edificara por ordem do Senhor, para casa de Deus e oração.

As trasladações da antiga arca e a apre­sentação de Maria

417. Em todas estas trasladações, conduziu-se a antiga arca da aliança com pública veneração, e culto soleníssimo de música, danças, sacrifícios e júbilo daque­les reis e de todo o povo de Israel. Refere-o a história sagrada nos livros segundo e terceiro dos Reis, e primeiro e segundo dos Paralipômenos.

Nossa mística e verdadeira Arca, Maria, entretanto, ainda que mais rica, estimável e digna da maior veneração entre todas as criaturas, não foi levada ao templo com tão solene aparato e ostentação públi­ca. Não houve nesta misteriosa trasladação sacrifícios de animais, nem pompa real e majestade de Rainha. Foi conduzida da casa de seu pai Joaquim, nos humildes braços de sua mãe Ana que, embora não fosse pobre, nesta ocasião levou sua que­rida Filha para apresentá-la ao templo ao modo dos pobres, com humilde recolhi­mento, sozinha e sem ostentação popular.

Toda a glória e majestade desta procissão, quis o Altíssimo fosse divina e invisível. Os mistérios de Maria Santíssima foram tão elevados e ocultos, que muitos deles até hoje são desconhecidos, pelos inescrutáveis juízos do Senhor, que reser­va tempo e hora oportunos para todas e cada uma das coisas.


Razão pela qual a apresentação da Vir­gem foi sem aparato

418. Admirando-me eu, na pre­sença do Altíssimo, desta maravilha elouvando seus desígnios, dignou-se Sua Majestade responder-me desta maneira: -Se ordenei que a arca do velho testamento fosse venerada com tanta festividade e aparato, era por ser figura expressa de quem seria Mãe do Verbo humanado.

Aquela arca era irracional e mate­rial e com ela podia-se, sem inconveniente, usar de tal celebridade e ostentação. Com a Arca viva e verdadeira, porém, não per­miti assim,enquanto viveu em carne mortal, para ensinar com este exemplo o que tu e asdemais almas deveis aprender, enquanto sois viadoras.

A meus escolhidos, gravados em minha mente e aceitação para eterna memó­ria, não quero que a honra e exagerado e ostensivo aplauso dos homens lhes sirva, na vida mortal, como recompensa do que fizeram para minha honra e serviço. Tampouco lhes convém o risco de repartir o amor, entre Aquele que os justifica e faz santos, e aqueles que os celebram por tais.

Um é o Criador que os fez, sus­tenta, ilumina e defende; único há de ser o amor e atenção, e não o devem repartir, ainda que seja para remunerar e agradecer as honras tributadas, com zelo piedoso aos justos. O amor divino é delicado, a vontade humana fragilíssima e limitada; dividida, pouco e imperfeitamente pode fazer, e depressa tudo perde. Para deixar este ensinamento, Eu não quis que fosse conhecida e honrada durante a vida, nem levada ao templo com ostentação e honra visíveis, Aquela que era santíssima e porminha proteção não podia cometer imper­feição.


O exemplo de Cristo e Maria, devem abonar a virtude e condenar o vício

419. Além disto, enviei meu Unigênito do céu, e criei aquela que seria sua Mãe, para desiludir os mortais e tirar do mundo o erro, que se tornara iniqüíssima lei estabelecida pelo pecado: ser o pobre desprezado e o rico estima­do; abatido o humilde e exaltado osoberbo; o virtuoso vituperado e o pe­cador acreditado: o modesto e recolhido julgado por insensato e o arrogante con­siderado corajoso, a pobreza humilhante e infeliz; as riquezas, fausto, ostentação, pompas, honras e deleites perecedores, procurados e apreciados pelos homens insipientes e carnais.

O Verbo e sua Mãe vieram repro­var e condenar tudo isto como ilusório eenganador, para que os mortais conheces­sem o formidável perigo em que vivem, amando e entregando-se tão cegamente, à falsidade do sensível e deleitável.

Deste insano amor lhes nasce o afã com que fogem da humildade, mansi­dão e pobreza, afastando de si tudo o que tem cheiro de virtude verdadeira, penitên­cia e abnegação de suas paixões. Entre­tanto, é isto que agrada à minha justiça, e é aceito a meus olhos, por ser o santo, o honesto, o justo que será recompensado com prêmio de eterna glória, enquanto o contrário receberá sempiterno castigo.

O espírito de Deus oposto ao do mundo

420. Os olhos terrenos dos mun­danos e carnais não conseguem ver esta verdade, nem querem aceitar a luz que ela lhes mostraria. Tu, porém, ouve-a, grava-a em teu coração pelo exemplo do Verbo humanado e de sua Mãe, que em tudo o imitou. Ela era santa, e em minha estima, a primeira depois de Cristo. Toda veneração e honra dos homens eram-lhe devidas, pois nem poderiam lhe dar o quanto mere­cia.
Todavia dispus que, por então, não fosse conhecida nem honrada, para nela ostentar o mais santo, o mais perfei­to, o mais apreciável e seguro que meus escolhidos deveriam imitar e aprender da mestra da verdade: a humildade, o escondimento, o retiro, o desprezo da enganadora vaidade do mundo, o amor aos trabalhos, às tribulação, desprezos, aflições e descrédito das criaturas.

Uma vez que tudo isto não se ajusta com os aplausos, honras e estima dos mundanos, determinei que Maria Puríssima não as tivesse, nem quero que meus amigos as recebam ou aceitem. Se, para minha glória, às vezes os torno co­nhecidos no mundo, não é porque eles o desejem, mas com humildade e sem dela se afastarem, se submetem à minha disposição e vontade. Quanto deles de­pende, para si só desejam e amam o que o mundo despreza e o que o Verbo humanado e sua Mãe Santíssima fizeram e ensinaram.
Esta foi a resposta do Senhor à minha admiração e reparo: com isto me deixou satisfeita e instruída de quanto desejo e devo executar.

São Joaquim e Sant'Ana levam Maria ao templo

421. Findo o prazo dos três anos determinado pelo Senhor, saíram de Nazaré,Joaquim e Ana, acompanhados de alguns parentes, levando consigo a verdadeira Arca da Aliança, Maria Santíssima, nos braços de sua mãe, para depositá-la no santo templo de Jerusalém.
Apressava-se a formosa Menina com fervorosos afetos, seguindo os perfu­mes de seu amado (Ct 1,3), para ir procurar no templo aquele mesmo que levava no coração. Esta humilde procissão seguia sem acompanhamento de criaturas terrenas nem visível aparato, mas com brilhante e numeroso séquito de espíritos angélicos.
Para celebrar esta festa haviam descido do céu, além dos que ordinariamente guarda­vam sua Rainha menina. Cantavam com música celestial novos cânticos de glória e louvor do Altíssimo, ouvindo-os a Prince­sa do céu, que caminhava com formosos passos à vista do supremo e verdadeiro Salomão.

Assim prosseguiram sua viagem de Nazaré até a cidade santa de Jerusalém,sentindo os ditosos pais da menina Maria grande júbilo e consolação espiritual.

Chegada ao templo

422. Chegaram ao templo, e nele entraram, a bem-aventurada Ana em com­panhia de São Joaquim, levando sua Filha e Senhora pela mão. Fizeram, os três, devota e fervorosa oração ao Senhor: os pais oferecendo a Filha, e esta oferecen-do-se a si mesma, com profunda humildade, adoração e reverência.
Somente Ela conheceu como o Altíssimo a aceitava e recebia. De um divi­no resplendor, que encheu o templo, saiu uma voz que lhe dizia:- Vem, esposa minha,escolhida, vem a meu templo onde quero que me louves e bendigas.
Terminada a oração, levantaram-se e dirigiram-se ao sacerdote que os abençoou. Todos juntos, levaram a Meni­na a um aposento onde se encontrava o colégio das jovens que ali se educavam, em internato e santos costumes, até chegarem à idade de tomar estado de matrimônio. Recolhiam-se ali, especialmente, as primogênitas da tribo real de Judá e da sacerdotal de Levi.

Maria despede-se de seus pais

423. Subia-se a este colégio poruma escada de quinze degraus, onde vie­ram outros sacerdotes receber a bendita menina Maria; aquele que a levava colocou-a no primeiro degrau.

Ela lhe pediu licença e, voltando-se para seus pais Joaquim e Ana, pôs-se de joelhos, beijou-lhes as mãos, pediu-lhes a bênção e rogou-lhes que a encomendas­sem a Deus.
Os santos pais abençoaram-na com grande ternura e muitas lágrimas, e a menina subiu os quinze degraus com incomparável fervor e alegria, sem voltar-se para trás, sem chorar, sem tomar qualquer atitude pueril, nem demonstrar sentimento pela despedida de seus pais. A todos ad­mirou vê-la com majestade e inteireza tão peregrina, em tão tenra idade. Os sacerdo­tes a receberam, levaram ao colégio das demais virgens, e o santo Simeão, sumo sacerdote, a entregou às mestras, uma das quais era Ana, a profetisa.

Esta santa matrona havia sido preparada com especial graça e luz do Altíssimo, para se encarregar da filha de Joaquim e Ana. Por divina disposição me­receu, por sua santidade e virtude, ter por discípula aquela que seria Mãe de Deus e mestra de todas as criaturas.
São Joaquim e Sant’Ana voltam a Nazaré. 

A escada de Jacó

424. Voltaram Joaquim e Ana para Nazaré, desolados e empobrecidos, sem o rico tesouro de seu lar, mas o Altíssimo os confortou e consolou.
O santo sacerdote Simeão, ain­da que no momento não conhecesse o mistério encerrado naquela Menina, teve, porém, grande luz de que era santa e escolhida do Senhor. Os outros sacerdo­tes sentiram também por ela grande admiração e reverência.
Naquela escada, que a menina subiu, realizou-se com toda a exatidão o que Jacó viu na sua (Gn 28,12): anjos que subiam e desciam; uns acompanhavam, outros vinham receber sua Rainha; no alto esperava-a Deus para aceitá-la por Filha e Esposa: e, em seus afetos amorosos, ela sentiu que verdadeiramente aquela era a casa de Deus e a porta do céu.

Maria confia-se à Mestra e cumprimen­ta as companheiras

425. Confiada à mestra, a meni­na Maria com profunda humildade, de joelhos lhe pediu a bênção e lhe supli­cou que a recebesse sob sua obediência, ensino e direção, tendo paciência pelo muito que com ela trabalharia e padece­ria. Ana profetisa, a mestra, recebeu-a com agrado e lhe disse: - Minha Filha, em mim achareis mãe e amparo e eucuidarei de vós e de vossa criação com todo o desvelo possível.
Em seguida, com a mesma humil­dade, Maria dirigiu-se a todas as meninas que ali se encontravam, cumprimentando-as e abraçando-as. Ofereceu-se para serva de todas, e pediu-lhes que, sendo mais velhas e mais instruídas no que deviam fazer, a ensinassem e mandassem. Final­mente, lhes agradeceu por a terem aceitado em sua companhia, apesar de não a mere­cer.

DOUTRINA DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

Graça da vocação à vida religiosa

426. Minha filha, a maior felicida­de que, nesta vida mortal, uma alma pode receber é ser chamada pelo - Altíssimo à sua casa, para se consagrar ao seu serviço. Por este favor, a resgata de perigosa escravi­dão, e a liberta da vil servidão do mundo, onde, sem liberdade, deve comer o pão com o suor de seu rosto (Gn 3,10).'"
Quem há, tão insipiente e obscurecido, que não conheça o perigo da vida mundana, com tantas leis e costumes abo­mináveis, tais como a astúcia diabólica e a perversidade dos homens nela introduzi­ram?
A melhor parte é a vida religio­sa e o retiro. Aqui se encontra porto seguro. O resto é tormenta, ondas encapeladas, cheias de dor e desgostos. Não reconhecerem os homens esta ver­dade, nem agradecerem este singular benefício, é repreensível dureza de cora­ção e esquecimento de si mesmos.
Tu, porém, minha filha, não te faças surda à voz do Altíssimo. Atende, trabalha e corresponde a ela. Advirto-te que um dos maiores empenhos do demô­nio é impedir a vocação religiosa, quando o Senhor chama e dispõe as almas para se dedicarem ao seu serviço.

Aversão do demônio pela vida religiosa

427. Somente o ato público e sa­grado de receber o hábito e entrar em religião, ainda que não se faça sempre com fervor e pureza de intenção devidas, revol­ta e enfurece o dragão infernal e seus demônios. Não toleram a glória do Senhor, o gozo que sentem os santos anjos, além de saber aquele mortal inimigo, que a vida religiosa santifica e aperfeiçoa.

1- Comer o pão com o suor do rosto, está aqui empregado por "viver espiritualmente oprimido por ocupações frívolas" como se depreende da continuação do texto. Não significa, como de início pode parecer, que na vida religiosa coma-se o pão ociosamente, em contraposição comê-lo no mundo com o suor do rosto.
A vida religiosa é serviço, compreendendo portanto trabalho e sacrifício um alguns pontos mais do que no século. (N. da T.)

Acontece, muitas vezes, que ha vendo nela entrado por motivos humanos e terrenos, depois a ação da graça melhora e corrige tudo. Se isto sucede quando no princípio não houve intenção tão reta como convinha, muito mais poderosa e eficaz será a luz e virtude do Senhor e disciplina da religião, para a alma que a abraça movida pelo divino amor, e com íntimo e verdadeiro desejo de procurar, servir e amar a Deus.

Ser fiel sem olhar para trás

428. Para o Altíssimo reformar e aperfeiçoar quem entra no estado religio­so, qualquer que seja o motivo que o trouxe, convém que, tendo voltado as costas ao mundo, não torne a olhá-lo, apague suas imagens da memória e esqueça o que com tanta dignidade deixou.
Os que não seguem este ensi­namento e são ingratos e desleais a Deus, sem dúvida são atingidos pelo castigo da mulher de Jó (Gn 19,26). Embora pela divina piedade, não seja visível ao olhar exterior, interiormente é muito real, toman­do a alma seca, gelada, sem fervor nem virtude.

Sem o amparo da graça, não rea­lizam o ideal de sua vocação, nem aproveitam o benefício da vida religiosa. Nela não encontram consolo espiritual, nem merecem que o Senhor os olhe e visite como a filhos; mas são repudiados como escravos infiéis e fugitivos.
Lembra, Maria, que para ti o mun­do há de estar morto e crucificado e tu para ele, sem guardares afeto e recordação de qualquer coisa terrena. Se, às vezes, for necessário exercitar a caridade com o pró­ximo, ordena-a tão bem que, em primeiro lugar, ponhas o bem de tua alma, sua segu­rança, quietude, paz e tranqüilidade interior. Evitando os excessos viciosos, deves ser muito atenta a estas advertências, se quiseres permanecer em minha escola.

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