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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

21 DE NOVEMBRO - A APRESENTAÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA NO TEMPLO - LIVRO MÍSTICA CIDADE DE DEUS


LIVRO MÍSTICA CIDADE DE DEUS 

Segundo Livro - Capítulo 1

CAPÍTULO 1

A APRESENTAÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA NO TEMPLO AOS TRÊS ANOS DE IDADE

A arca da aliança, figura de Maria Santíssima

413. Entre as figuras que, na lei escrita, simbolizam Maria Santíssima, ne­nhuma foi mais expressiva que a Arca do Testamento.
A matéria de que era feita, o que continha, o fim para o qual servia, o que por ela e com ela operava o Senhor naquela antiga Sinagoga. Tudo era um esboço des­ta Senhora e do que por Ela e com Ela realizaria em a nova Igreja evangélica.
O cedro incorruptível (Êx 25,10) de que - não por acaso, mas por divina disposição - foi construída, representa expressamente nossa arca mística, livre da corrupção do pecado atual e da oculta carcoma do original, com seu inseparável fontes e paixões.
O finíssimo e puríssimo ouro (Idem, 11) de que era revestida, por dentro e por fora, indubitavelmente significava a mais perfeita elevação da graça e dons que em seus divinos pensamentos, ações e costumes resplandecia.
Interior e exteriormente, foi im­possível divisar nesta arca, parte, tempo ou instante, em que não estivesse toda repleta e revestida de graça, e graça de subidíssimos quilates.


Maria, escrínio de Deus

414. As tábuas da lei, feitas de pedra, a urna do maná (Hb 9,4) e a vara dos prodígios, que aquela antiga Arca continha e guardava, não poderiam sim­bolizar com maior exatidão o Verbo humanado. Encerrado na arca viva de Maria Santíssima, foi seu Filho unigênito a pedra fundamental (ICor 3,11) e viva do edifício da Igreja evangélica; a pedra angular (Ef 2,20)que uniu dois povos tão opostos, como o judeu e o gentio.

Para isso foi cortada do monte (Dn 2,34) da eterna geração, gravada pelo dedo de Deus com a nova lei da graça, e depositada na arca virginal de Maria. En­tenda-se, portanto, que esta grande Rainha se tornou a depositária de quanto Deus era e fazia com as criaturas. Guardava também consigo o maná da Divindade e da graça, o poder e a vara dos prodígios e maravi­lhas, para que somente nesta divina e mística Arca se encontrasse a fonte das graças, o mesmo Deus, para Dela transbordarem as maravilhas e prodígios do poder divino. Quanto este Senhor é, quer e faz, saiba-se que em Maria está encerrado e depositado.

Maria, propiciatório e trono da graça

415. A tudo isto, era consequente que a Arca da Aliança (Êx 26,34), não pelafigura e sombra, mas pela verdade que simbolizava, servisse de peanha ou sustentáculo ao propiciatório. Neste pusera o
Senhor seu trono e tribunal de misericór­dia, para ouvir seu povo, responder-lhe e
conceder-lhe suas petições e favores.
Assim, em nenhuma outra criatu­ra, fora de Maria Santíssima, colocou Deus seu trono de graça. Não podia deixar de fazê-la propiciatório, uma vez que havia construído esta mística e verdadeira Arca para nela se encerrar.

Deste modo, parece que o tribu­nal da divina justiça ficou reservado a Deus, enquanto o propiciatório e tribunal da misericórdia foram dados a Maria dulcíssima. A Ela, como ao trono da graça, deveríamos ir com segura confiança, apre­sentar nossos pedidos, suplicar benefícios, graças e misericórdias que, fora do propiciatório da grande rainha Maria, nem são ouvidas, nem despachadas para o gênero humano.

Maria, a arca do Novo Testamento, deve­ria ficar no Templo

416. Tão misteriosa e sagrada Arca, construída pela mão do mesmo Se­nhor para sua habitação, e propiciatório de seu povo, não estava bem fora do templo, onde se encontrava guardada a outra arca material, figura desta verdadeira e espiritu­al do Novo Testamento.
Por esta razão, ordenou o Autor desta maravilha, que Maria Santíssima fosse colocada em sua casa, o templo, terminados três anos após seu felicíssimo nascimento.

Verdade é que, com grande admi­ração, vejo muita diferença entre o que sucedeu com aquela primeira e figurativa Arca, e o que acontece com a segunda e verdadeira.

Quando o rei David trasladou a arca para diferentes lugares, e depois seu filho Salomão a colocou no templo, seu lugar apropriado - ainda que aquela arca não tinha outra grandeza senão a de repre­sentar Maria Puríssima e seus mistérios -foram suas trasladações e mudanças festi­vas e cheias de regozijo para aquele antigo povo. Testemunharam as solenes procis­sões que fez Davi da casa de Aminadab e à de Obededon (2Rs 6,10; 2Par 23; 3Rs 8,5; 2Par 5) e desta ao tabernáculo de Sião (2Rs 12), cidade de Davi. Finalmente, de Sião foi trasladada por Salomão ao novo templo que edificara por ordem do Senhor, para casa de Deus e oração.

As trasladações da antiga arca e a apre­sentação de Maria

417. Em todas estas trasladações, conduziu-se a antiga arca da aliança com pública veneração, e culto soleníssimo de música, danças, sacrifícios e júbilo daque­les reis e de todo o povo de Israel. Refere-o a história sagrada nos livros segundo e terceiro dos Reis, e primeiro e segundo dos Paralipômenos.

Nossa mística e verdadeira Arca, Maria, entretanto, ainda que mais rica, estimável e digna da maior veneração entre todas as criaturas, não foi levada ao templo com tão solene aparato e ostentação públi­ca. Não houve nesta misteriosa trasladação sacrifícios de animais, nem pompa real e majestade de Rainha. Foi conduzida da casa de seu pai Joaquim, nos humildes braços de sua mãe Ana que, embora não fosse pobre, nesta ocasião levou sua que­rida Filha para apresentá-la ao templo ao modo dos pobres, com humilde recolhi­mento, sozinha e sem ostentação popular.

Toda a glória e majestade desta procissão, quis o Altíssimo fosse divina e invisível. Os mistérios de Maria Santíssima foram tão elevados e ocultos, que muitos deles até hoje são desconhecidos, pelos inescrutáveis juízos do Senhor, que reser­va tempo e hora oportunos para todas e cada uma das coisas.


Razão pela qual a apresentação da Vir­gem foi sem aparato

418. Admirando-me eu, na pre­sença do Altíssimo, desta maravilha elouvando seus desígnios, dignou-se Sua Majestade responder-me desta maneira: -Se ordenei que a arca do velho testamento fosse venerada com tanta festividade e aparato, era por ser figura expressa de quem seria Mãe do Verbo humanado.

Aquela arca era irracional e mate­rial e com ela podia-se, sem inconveniente, usar de tal celebridade e ostentação. Com a Arca viva e verdadeira, porém, não per­miti assim,enquanto viveu em carne mortal, para ensinar com este exemplo o que tu e asdemais almas deveis aprender, enquanto sois viadoras.

A meus escolhidos, gravados em minha mente e aceitação para eterna memó­ria, não quero que a honra e exagerado e ostensivo aplauso dos homens lhes sirva, na vida mortal, como recompensa do que fizeram para minha honra e serviço. Tampouco lhes convém o risco de repartir o amor, entre Aquele que os justifica e faz santos, e aqueles que os celebram por tais.

Um é o Criador que os fez, sus­tenta, ilumina e defende; único há de ser o amor e atenção, e não o devem repartir, ainda que seja para remunerar e agradecer as honras tributadas, com zelo piedoso aos justos. O amor divino é delicado, a vontade humana fragilíssima e limitada; dividida, pouco e imperfeitamente pode fazer, e depressa tudo perde. Para deixar este ensinamento, Eu não quis que fosse conhecida e honrada durante a vida, nem levada ao templo com ostentação e honra visíveis, Aquela que era santíssima e porminha proteção não podia cometer imper­feição.


O exemplo de Cristo e Maria, devem abonar a virtude e condenar o vício

419. Além disto, enviei meu Unigênito do céu, e criei aquela que seria sua Mãe, para desiludir os mortais e tirar do mundo o erro, que se tornara iniqüíssima lei estabelecida pelo pecado: ser o pobre desprezado e o rico estima­do; abatido o humilde e exaltado osoberbo; o virtuoso vituperado e o pe­cador acreditado: o modesto e recolhido julgado por insensato e o arrogante con­siderado corajoso, a pobreza humilhante e infeliz; as riquezas, fausto, ostentação, pompas, honras e deleites perecedores, procurados e apreciados pelos homens insipientes e carnais.

O Verbo e sua Mãe vieram repro­var e condenar tudo isto como ilusório eenganador, para que os mortais conheces­sem o formidável perigo em que vivem, amando e entregando-se tão cegamente, à falsidade do sensível e deleitável.

Deste insano amor lhes nasce o afã com que fogem da humildade, mansi­dão e pobreza, afastando de si tudo o que tem cheiro de virtude verdadeira, penitên­cia e abnegação de suas paixões. Entre­tanto, é isto que agrada à minha justiça, e é aceito a meus olhos, por ser o santo, o honesto, o justo que será recompensado com prêmio de eterna glória, enquanto o contrário receberá sempiterno castigo.

O espírito de Deus oposto ao do mundo

420. Os olhos terrenos dos mun­danos e carnais não conseguem ver esta verdade, nem querem aceitar a luz que ela lhes mostraria. Tu, porém, ouve-a, grava-a em teu coração pelo exemplo do Verbo humanado e de sua Mãe, que em tudo o imitou. Ela era santa, e em minha estima, a primeira depois de Cristo. Toda veneração e honra dos homens eram-lhe devidas, pois nem poderiam lhe dar o quanto mere­cia.
Todavia dispus que, por então, não fosse conhecida nem honrada, para nela ostentar o mais santo, o mais perfei­to, o mais apreciável e seguro que meus escolhidos deveriam imitar e aprender da mestra da verdade: a humildade, o escondimento, o retiro, o desprezo da enganadora vaidade do mundo, o amor aos trabalhos, às tribulação, desprezos, aflições e descrédito das criaturas.

Uma vez que tudo isto não se ajusta com os aplausos, honras e estima dos mundanos, determinei que Maria Puríssima não as tivesse, nem quero que meus amigos as recebam ou aceitem. Se, para minha glória, às vezes os torno co­nhecidos no mundo, não é porque eles o desejem, mas com humildade e sem dela se afastarem, se submetem à minha disposição e vontade. Quanto deles de­pende, para si só desejam e amam o que o mundo despreza e o que o Verbo humanado e sua Mãe Santíssima fizeram e ensinaram.
Esta foi a resposta do Senhor à minha admiração e reparo: com isto me deixou satisfeita e instruída de quanto desejo e devo executar.

São Joaquim e Sant'Ana levam Maria ao templo

421. Findo o prazo dos três anos determinado pelo Senhor, saíram de Nazaré,Joaquim e Ana, acompanhados de alguns parentes, levando consigo a verdadeira Arca da Aliança, Maria Santíssima, nos braços de sua mãe, para depositá-la no santo templo de Jerusalém.
Apressava-se a formosa Menina com fervorosos afetos, seguindo os perfu­mes de seu amado (Ct 1,3), para ir procurar no templo aquele mesmo que levava no coração. Esta humilde procissão seguia sem acompanhamento de criaturas terrenas nem visível aparato, mas com brilhante e numeroso séquito de espíritos angélicos.
Para celebrar esta festa haviam descido do céu, além dos que ordinariamente guarda­vam sua Rainha menina. Cantavam com música celestial novos cânticos de glória e louvor do Altíssimo, ouvindo-os a Prince­sa do céu, que caminhava com formosos passos à vista do supremo e verdadeiro Salomão.

Assim prosseguiram sua viagem de Nazaré até a cidade santa de Jerusalém,sentindo os ditosos pais da menina Maria grande júbilo e consolação espiritual.

Chegada ao templo

422. Chegaram ao templo, e nele entraram, a bem-aventurada Ana em com­panhia de São Joaquim, levando sua Filha e Senhora pela mão. Fizeram, os três, devota e fervorosa oração ao Senhor: os pais oferecendo a Filha, e esta oferecen-do-se a si mesma, com profunda humildade, adoração e reverência.
Somente Ela conheceu como o Altíssimo a aceitava e recebia. De um divi­no resplendor, que encheu o templo, saiu uma voz que lhe dizia:- Vem, esposa minha,escolhida, vem a meu templo onde quero que me louves e bendigas.
Terminada a oração, levantaram-se e dirigiram-se ao sacerdote que os abençoou. Todos juntos, levaram a Meni­na a um aposento onde se encontrava o colégio das jovens que ali se educavam, em internato e santos costumes, até chegarem à idade de tomar estado de matrimônio. Recolhiam-se ali, especialmente, as primogênitas da tribo real de Judá e da sacerdotal de Levi.

Maria despede-se de seus pais

423. Subia-se a este colégio poruma escada de quinze degraus, onde vie­ram outros sacerdotes receber a bendita menina Maria; aquele que a levava colocou-a no primeiro degrau.

Ela lhe pediu licença e, voltando-se para seus pais Joaquim e Ana, pôs-se de joelhos, beijou-lhes as mãos, pediu-lhes a bênção e rogou-lhes que a encomendas­sem a Deus.
Os santos pais abençoaram-na com grande ternura e muitas lágrimas, e a menina subiu os quinze degraus com incomparável fervor e alegria, sem voltar-se para trás, sem chorar, sem tomar qualquer atitude pueril, nem demonstrar sentimento pela despedida de seus pais. A todos ad­mirou vê-la com majestade e inteireza tão peregrina, em tão tenra idade. Os sacerdo­tes a receberam, levaram ao colégio das demais virgens, e o santo Simeão, sumo sacerdote, a entregou às mestras, uma das quais era Ana, a profetisa.

Esta santa matrona havia sido preparada com especial graça e luz do Altíssimo, para se encarregar da filha de Joaquim e Ana. Por divina disposição me­receu, por sua santidade e virtude, ter por discípula aquela que seria Mãe de Deus e mestra de todas as criaturas.
São Joaquim e Sant’Ana voltam a Nazaré. 

A escada de Jacó

424. Voltaram Joaquim e Ana para Nazaré, desolados e empobrecidos, sem o rico tesouro de seu lar, mas o Altíssimo os confortou e consolou.
O santo sacerdote Simeão, ain­da que no momento não conhecesse o mistério encerrado naquela Menina, teve, porém, grande luz de que era santa e escolhida do Senhor. Os outros sacerdo­tes sentiram também por ela grande admiração e reverência.
Naquela escada, que a menina subiu, realizou-se com toda a exatidão o que Jacó viu na sua (Gn 28,12): anjos que subiam e desciam; uns acompanhavam, outros vinham receber sua Rainha; no alto esperava-a Deus para aceitá-la por Filha e Esposa: e, em seus afetos amorosos, ela sentiu que verdadeiramente aquela era a casa de Deus e a porta do céu.

Maria confia-se à Mestra e cumprimen­ta as companheiras

425. Confiada à mestra, a meni­na Maria com profunda humildade, de joelhos lhe pediu a bênção e lhe supli­cou que a recebesse sob sua obediência, ensino e direção, tendo paciência pelo muito que com ela trabalharia e padece­ria. Ana profetisa, a mestra, recebeu-a com agrado e lhe disse: - Minha Filha, em mim achareis mãe e amparo e eucuidarei de vós e de vossa criação com todo o desvelo possível.
Em seguida, com a mesma humil­dade, Maria dirigiu-se a todas as meninas que ali se encontravam, cumprimentando-as e abraçando-as. Ofereceu-se para serva de todas, e pediu-lhes que, sendo mais velhas e mais instruídas no que deviam fazer, a ensinassem e mandassem. Final­mente, lhes agradeceu por a terem aceitado em sua companhia, apesar de não a mere­cer.

DOUTRINA DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

Graça da vocação à vida religiosa

426. Minha filha, a maior felicida­de que, nesta vida mortal, uma alma pode receber é ser chamada pelo - Altíssimo à sua casa, para se consagrar ao seu serviço. Por este favor, a resgata de perigosa escravi­dão, e a liberta da vil servidão do mundo, onde, sem liberdade, deve comer o pão com o suor de seu rosto (Gn 3,10).'"
Quem há, tão insipiente e obscurecido, que não conheça o perigo da vida mundana, com tantas leis e costumes abo­mináveis, tais como a astúcia diabólica e a perversidade dos homens nela introduzi­ram?
A melhor parte é a vida religio­sa e o retiro. Aqui se encontra porto seguro. O resto é tormenta, ondas encapeladas, cheias de dor e desgostos. Não reconhecerem os homens esta ver­dade, nem agradecerem este singular benefício, é repreensível dureza de cora­ção e esquecimento de si mesmos.
Tu, porém, minha filha, não te faças surda à voz do Altíssimo. Atende, trabalha e corresponde a ela. Advirto-te que um dos maiores empenhos do demô­nio é impedir a vocação religiosa, quando o Senhor chama e dispõe as almas para se dedicarem ao seu serviço.

Aversão do demônio pela vida religiosa

427. Somente o ato público e sa­grado de receber o hábito e entrar em religião, ainda que não se faça sempre com fervor e pureza de intenção devidas, revol­ta e enfurece o dragão infernal e seus demônios. Não toleram a glória do Senhor, o gozo que sentem os santos anjos, além de saber aquele mortal inimigo, que a vida religiosa santifica e aperfeiçoa.

1- Comer o pão com o suor do rosto, está aqui empregado por "viver espiritualmente oprimido por ocupações frívolas" como se depreende da continuação do texto. Não significa, como de início pode parecer, que na vida religiosa coma-se o pão ociosamente, em contraposição comê-lo no mundo com o suor do rosto.
A vida religiosa é serviço, compreendendo portanto trabalho e sacrifício um alguns pontos mais do que no século. (N. da T.)

Acontece, muitas vezes, que ha vendo nela entrado por motivos humanos e terrenos, depois a ação da graça melhora e corrige tudo. Se isto sucede quando no princípio não houve intenção tão reta como convinha, muito mais poderosa e eficaz será a luz e virtude do Senhor e disciplina da religião, para a alma que a abraça movida pelo divino amor, e com íntimo e verdadeiro desejo de procurar, servir e amar a Deus.

Ser fiel sem olhar para trás

428. Para o Altíssimo reformar e aperfeiçoar quem entra no estado religio­so, qualquer que seja o motivo que o trouxe, convém que, tendo voltado as costas ao mundo, não torne a olhá-lo, apague suas imagens da memória e esqueça o que com tanta dignidade deixou.
Os que não seguem este ensi­namento e são ingratos e desleais a Deus, sem dúvida são atingidos pelo castigo da mulher de Jó (Gn 19,26). Embora pela divina piedade, não seja visível ao olhar exterior, interiormente é muito real, toman­do a alma seca, gelada, sem fervor nem virtude.

Sem o amparo da graça, não rea­lizam o ideal de sua vocação, nem aproveitam o benefício da vida religiosa. Nela não encontram consolo espiritual, nem merecem que o Senhor os olhe e visite como a filhos; mas são repudiados como escravos infiéis e fugitivos.
Lembra, Maria, que para ti o mun­do há de estar morto e crucificado e tu para ele, sem guardares afeto e recordação de qualquer coisa terrena. Se, às vezes, for necessário exercitar a caridade com o pró­ximo, ordena-a tão bem que, em primeiro lugar, ponhas o bem de tua alma, sua segu­rança, quietude, paz e tranqüilidade interior. Evitando os excessos viciosos, deves ser muito atenta a estas advertências, se quiseres permanecer em minha escola.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A Aparição de Nossa Senhora em La Salette - França - 1846 aos pastorinhos e videntes Maximino Giraud e Melanie Calvat

 19 de setembro é o dia da festa da Aparição de La Salette

FILME RARO:O APOCALIPSE DE LA SALETTE-CORAÇÃO DAS MENSAGENS DE MARIA SANTÍSSIMA 1846-A GRANDE REVELAÇÃO DO SEGREDO - A APARIÇÃO AOS VIDENTES MAXIMINO E MELANIE 
Edição e narração do vidente Marcos Tadeu Teixeira
Santuário das Aparições de Jacareí - SP - Brasil


TERÇO DOS PASTORINHOS MAXIMINO E MELANIE DE LA SALETTE
COMPOSTO PELO VIDENTE MARCOS TADEU TEIXEIRA
SANTUÁRIO DAS APARIÇÕES DE JACAREÍ-SP-BRASIL


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JACAREÍ, 16 DE SETEMBRO DE 2012
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA RAINHA E MENSAGEIRA DA PAZ COMUNICADA AO VIDENTE MARCOS TADEU TEIXEIRA - CENÁCULO EM PREPARAÇÃO AO 166º ANIVERSÁRIO DA APARIÇÃO DE LA SALETTE - FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES




(MARCOS): Sim... Sim...

MENSAGEM DE NOSSA SENHORA


“-Meus amados Filhos, hoje quando já estais comemorando o ANIVERSÁRIO DA MINHA APARIÇÃO EM LA SALETTE, aos Meus dois Mensageiros e Filhos prediletíssimos MAXIMINO E MELANIE, Eu venho novamente para chamar-vos a serdes verdadeiramente: imitadores das VIRTUDES DO MEU CORAÇÃO IMACULADO, Apóstolos DOS ÚLTIMOS TEMPOS E VERDADEIROS SERVIDORES DO SENHOR que junto com ele dão o perfeito Amor, o perfeito louvor e a perfeita obediência todos os dias de vossas vidas.

EM LA SALETTE, EU APARECI CINGIDA DE UM AVENTAL, para vos indicar que Sou a Serva do Senhor sempre pronta para servi-Lo, obedecê-Lo e executar prontamente todas as Suas Ordens.

E assim também, vós deveis ser, deveis cingir-vos com um avental do perfeito amor, da perfeita caridade, da perfeita obediência e submissão à Vontade Divina, para cumpri-la em todo o tempo e lugar procurando não apenas agradar a DEUS, mas fazer aquilo que Lhe agrada mais e do melhor modo possível. Para que assim, da vossa vida suba todos os dias ao Senhor o hino do Amor e da vossa alma suba até os Olhos do Senhor, até a presença do Senhor, o incenso mais puro do perfeito amor e da perfeita adoração que Ele deseja de vós.

Deveis cingir-vos com um avental da conformidade com a vontade do Senhor e da Obediência a Ele, procurando todos os dias morrer para vós mesmos e para a vossa vontade, para assim realizardes a vontade do Senhor. De modo que em vós e por meio de vós, a sua mística luz possa ainda brilhar para esse mundo envolto em trevas e assim o TRIUNFO do Seu Reino de Amor possa verdadeiramente aconteça em todas as almas e em todas nações.

Sede como os Meus PASTORINHOS MAXIMINO E MELANIE eram: puros, humildes e simples de coração, pois somente nas almas assim é que Eu posso realizar a vontade do Senhor e a Minha, é que Eu posso comunicar a luz do Meu Coração Imaculado, é que Eu posso habitar com todas as Minhas Graças para nessas almas levantar as cidades Místicas de Deus, as cidadelas da Santidade e do Amor que Eu desejo construir em todos os homens, em todos os Meus filhos e em todos vós.

Eu vos chamo a serdes os APÓSTOLOS DOS ÚLTIMOS TEMPOS que Eu em LA SALETTE tanto pedi, apóstolos esquecidos de si mesmos que vivam apenas para servir e glorificar ao Senhor por meio de Mim.

Eu e o Meu filho JESUS percorremos o mundo inteiro procurando almas de verdadeiro amor, almas de amor puro, mas com grande tristeza não encontramos nem dez almas cheias de verdadeiro amor. Não encontramos almas valorosas, não encontramos almas feitas de fogo puro, cheias de zelo, de amor, de coragem, de desprendimento e abnegação. Por isso mesmo é que os Nossos Corações sangram, por isso é que de Nossos Olhos saem tão copiosas LÁGRIMAS DE SANGUE, que Eu vos mostrei, em tantas de Minhas Imagens, LÁGRIMAS BENDITAS que Eu também mostrei aos Meus PASTORINHOS MAXIMINO E MELANIE, na Minha Aparição emLA SALETTE, à Minha filhinha AMÁLIA AGUIRRE, ao Meu filhinho MARCOS e a tantos dos Meus PREDILETOS VIDENTES no mundo inteiro.

Estas Lágrimas brotam do Meu Coração, que procurou almas cheias de Amor e não as encontrou. Aqui onde Sou mais amada, mais glorificada, mais servida e obsequiada pelo Meu filhinho Marcos e por alguns dos Meus filhos que verdadeiramente Me amam, quero que vós todos filhos Meus sejais estas almas de amor puro, de fogo puro que Eu vim pedir.

Sim! Almas de oração abrasada, almas de generosidade sem limite, almas de amor sem reservas, almas de humildade perfeita, almas de confiança total, almas de esquecimento pleno de si mesmos para pensar só em DEUS, em Sua glória, em torná-Lo conhecido e amado de todos os homens e tornar-Me Rainha de todos os Corações! Almas que de si mesmas não tenham nada, mas que só tenham dentro de si o Espírito de Cristo, o Meu Espírito que é um Espírito de Santidade, Espírito de Amor, de doação, de oblação total, Espírito de pureza, de perfeição, Espírito de verdade.

Eu vos chamo a serdes esses Meus Apóstolos:

- renunciando à impureza,
- renunciando à mentira,
- renunciando à cobiça,
- ao orgulho,
- ao egoísmo.


Para que os vossos corações não tenham nódoa alguma que impeça que o Divino Espírito Santo desça sobre vossas almas, una-se convosco e realize nas vossas almas obras santas de graça.

Se vós fordes dóceis à Minha voz o espírito santo descerá sobre vós e realizará em vós aquilo mesmo que Eu vim pedir na ALTA MONTANHA DE LA SALETTE. Ele realizará em vós a perfeita conversão que levará o mundo todo a se transformar no reino glorioso e cheio de Amor do Sagrado Coração de Jesus!

IDE EM FRENTE MEUS FILHOS! EU ESTOU CONVOSCO! AQUILO QUE EU VOS PROMETI NA ALTA MONTANHA DE LA SALETTE VAI CUMPRIR-SE. NO FINAL O SENHOR TRIUNFARÁ E SERÁ DE NOVO GLORIFICADO, AMADO, ADORADO E SERVIDO POR TODOS OS SEUS FILHOS!

O MEU CORAÇÃO IMACULADO TRIUNFARÁ! E DEPOIS QUE SÃO MIGUEL ARCANJO TIVER PRECIPITADO NO FOGO ETERNO O DEMÔNIO, O ANTI-CRISTO E OS SEUS SEQUAZES, REINARÁ SOBRE O MUNDO TODO UM TEMPO DE PAZ, DE FELICIDADE COMPLETA QUE OS MEUS FILHOS OBEDIENTES, DÓCEIS E FIÉIS RECEBERÃO COMO RECOMPENSA E PRÊMIO POR TANTAS ORAÇÕES, POR TANTOS SERVIÇOS E TRABALHOS OFERECIDOS A MIM E POR TANTO SOFRIMENTO SUPORTADO COM TANTA PACIÊNCIA.

O MEU CORAÇÃO TRIUNFARÁ!

Por isso vós deveis agora rezar, deveis lutar, deveis trabalhar e caminhar mais do que nunca porque ainda há tantos dos Meus filhos que não Me conhecem, que não conhecem o Meu Amor e que precisam receber a Minha Luz que só vós podeis fazer chegar até Eles.

Quanto a ti Marcos, permanece firme no teu caminho. Sim, sempre! Eu estou presente, estou contigo a cada passo que dás. Cada passo do teu penoso caminhar e acompanhado de perto pelo Meu Olhar Materno, pelo MEU CORAÇÃO IMACULADO que é o teu refúgio e toda a tua força.

Mais um pouco de tempo e a tua força jornada terminará. Trabalha hoje, trabalha amanhã, trabalha para que esse mundo conheça o Meu Amor e se torne o Meu Reino de Amor.

Sim, filho Meu! O teu cansaço servirá para o maior TRIUNFO DO MEU CORAÇÃO IMACULADO e para a maior ressurreição das almas.

Sim! Muitas almas que estavam mortas já reviveram, já ressuscitaram graças a tudo o que tens feito por Meu Amor e ainda muitas outras retornarão à vida da graça, por meio do teu trabalho, por meio da tua doação total a Mim. Por isso avante com confiança e amor, pois o Meu Coração Imaculado que traçou a Sua estratégia toda ater a Sua vitória completa sabe conduzir-vos no meio da escuridão, das ondas revoltas desse mundo e de todo tipo de borrascas.

Lembrai-vos Meus filhos, que o Meu CORAÇÃO IMACULADO, vitorioso já na Sua Imaculada Conceição sobre todo o domínio satânico é o vosso farol, Ele é o Sol que vos ilumina e conduz a cada dia mais para perto do senhor, para perto do porto da eterna salvação.

Aqui onde o Meu Coração repousa, descansa, encontra correspondência, amor e fé como das mais pequeninas e puras criancinhas em Sua Mãe. Aqui o Meu Coração já realizou e realizará grandes maravilhas nas almas e na vida de todos que Me responderam sim.

Por isso a vós a quem tanto amor Eu dou, a quem tanto amor Eu tenho dado, agora o SIM mais generoso e completo peço.

A todos abençoo generosamente, de LA SALETTE, de LOURDES e de JACAREÍ.

Até breve Meus filhos! Até breve Marcos, o mais esforçado dos Meus filhinhos.”

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Em meados de Setembro de 1846, um camponês de Ablandins, Pedro Selme, tem o pastor adoentado. Desce a Corps, até a casa de um amigo, o carroceiro Giraud: "Empresta-me o teu Maximino por alguns dias", diz-lhe. "Maximino, o pastor? Ele é demasiado irresponsável para tanto !..." No entanto, Maximino, a 14 de Setembro, vai para Ablandins.

No dia 17 encontra-se com Mélanie na aldeia. No dia 18 vão com os rebanhos para o monte Planeau. À tarde, Maximino tentou meter conversa com Mélanie. Ela não se mostra interessada. É tímida e de poucas falas. Descobrem, no entanto, um ponto em comum: são ambos de Corps.

Nas Pastagens da Montanha

No sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, as duas crianças sobem a encosta do monte, cada uma com seu rebanho de quatro vacas, sendo que Maximino tinha também uma cabra e o cão Lulu. O sol resplandecia sobre as pastagens... Ao meio dia, no fundo do vale, o sino da igreja da aldeia toca a hora do Angelus. Os pastores então conduzem as vacas até a "fonte dos animais", uma poça de água formada pelo regato que desce pelo vale do Sézia. A seguir, conduzem os rebanhos à pradaria chamada "le chômoir", nas encostas do Monte Gargas. Faz calor e os animais põem-se a ruminar.

Maximino e Mélanie tornam a subir pelo vale até a "fonte dos homens". Junto à fonte, tomam uma refeição frugal: pão e um pedaço de queijo da Sabóia. Outros pastorinhos, que pastoreiam mais abaixo, juntam-se aos dois e metem conversa. Depois deles partirem, Maximino e Mélanie atravessam o regato e descem alguns passos até dois bancos de pedras empilhadas, junto à poça seca de uma fonte sem água: é a "pequena fonte". Mélanie põe a sacola chão, e Maximino põe o casaco e a merenda em cima duma pedra.

Uma estranha claridade

Ao contrário do costume, as duas crianças estendem-se na relva... e adormecem. O tempo está agradável com este sol de final de Verão. No céu não há nem uma nuvem. O murmúrio do regato ajuda à calma e ao silêncio da montanha. O tempo passa!...

Bruscamente Mélanie acorda e sacode Maximino: "Maximino, Maximino, vem depressa, vamos ver as nossas vacas...Não sei onde andam!". Rapidamente sobem a encosta oposta ao Gargas. Voltando-se, têm diante de si toda o verde dos Alpes: as vacas lá estão, ruminando calmamente. Os dois pastores ficam tranquilos. Mélanie começa a descer. A meia encosta pára e, com o espanto, deixa cair o cajado:

"Maximino, olha ali, aquele clarão!"

Junto à pequena fonte, sobre um dos bancos de pedra... um globo de fogo.

"É como se o sol tivesse caído ali" - diria mais tarde Mélanie.

No entanto, o sol continuava a brilhar num céu sem nuvens. Maximino corre gritando:

"Onde está? Onde está?"

Mélanie estende o dedo para o fundo do vale onde haviam dormido. Maximo pára junto dela, petrificado de medo e diz:

"Segura o teu cajado, vá! Eu seguro o meu e dou-lhe uma cacetada se 'ele' nos fizer alguma coisa".

O clarão mexe, agita-se, roda sobre si mesmo. Faltam palavras às duas crianças para exprimir a impressão de vida que irradia desse globo de fogo. Uma mulher aparece nele, sentada, a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda tristeza.

A Bela Senhora fala aos dois pastorinhos.

A bela senhora ergue-se. Os dois não se mexeram. E diz-lhes, em francês:

Aproximai-vos, meus filhos, não tenhais medo, estou aqui para vos contar uma grande novidade!

Então, as crianças descem para junto dela.

Olham-na. Não para de chorar.

"Dir-se-ia que era uma mãe a quem os filhos tinham batido e que tinha fugido para a montanha, para chorar" - contará também mais tarde, Mélanie.

A Bela Senhora é alta e toda de luz. Veste-se como as mulheres da região: vestido comprido, grande avental à cintura, lenço cruzado e amarrado atrás, touca de camponesa. Rosas coroam-lhe a cabeça, bordam-lhe o lenço e ornamentam-lhe o calçado. Na fronte a luz brilha como um diadema. Sobre os ombros carrega um pesado colar. Um colar mais leve prende sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado, e de outro, uma tenaz.

A bela senhora fala aos dois pastores.

" Ela chorou durante todo o tempo que nos falou".

Juntos ou separadamente, as duas crianças repetem as mesmas palavras, com ligeiras variantes que não alteram o sentido. E isto, quaisquer que sejam os seus interlocutores: peregrinos ou simples curiosos, pessoas importantes ou da Igreja, investigadores ou jornalistas. Quer sejam favoráveis, sem rodeios ou malévolos, eis o que lhes é transmitido:

Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade!

"Nós ouvíamo-la, não pensávamos em nada".

Como Maximino e Mélanie, deixemos que ressoe em nós o que ela disse na montanha.

Com eles, escutemo-la contemplando o Crucifixo resplandecente de glória sobre o peito.

Se o meu povo não quiser submeter-se, sou forçada a deixar que se abata o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais SUSTER.

Há muito que sofro por vós!

Se quero que meu Filho não vos abandone, tenho de lhe pedir por vós constantemente, mas vós não fazeis caso. Bem podeis rezar, fazer o que quiserdes, jamais podereis recompensar os trabalhos que tenho tido convosco.

Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não mo querem conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho

Se a colheita se estraga a culpa não é senão vossa. Bem vos fiz ver o ano passado com as batatas e vós não fizestes nenhum caso! Pelo contrário, quando encontráveis batatas estragadas, praguejáveis e com o nome do meu Filho pelo meio. Isso vai continuar e este ano, pelo Natal, não tereis nenhumas.

A palavra "batatas" (em francês: 'pommes de terre'), deixa Mélanie intrigada. No dialecto da região, diz-se "truffa". E a palavra 'pommes' (maçãs) lembra-lhe apenas o fruto da macieira. Volta-se então para Maximino, para lhe pedir uma explicação. Mas a senhora adianta-se:

Não compreendeis, meus filhos? Vou dize-lo de outro modo.

Retomando, pois, as últimas frases no dialecto de Corps, língua falada correntemente por Maximino e Mélanie, a Bela Senhora prossegue:

Se tiverdes trigo, não deveis semea-lo. Todo o que semeardes será devorado pelos bichos, e o que produzir ficará em pó quando for malhado.

Virá uma grande fome. Antes que ela chegue, as crianças menores de sete anos serão acometidas de grande tremor e morrerão nas mãos das pessoas que as transportarem. Os outros farão penitência pela fome. As nozes ficarão vazias, as uvas apodrecerão.

De repente, a Bela Senhora continua a falar, mas somente Maximino a ouve; Mélanie vê que os lábios mexem, mas não ouve nada. Alguns instantes depois, Mélanie por sua vez, começa a ouvir, enquanto Maximino, que nada mais ouve, faz girar o chapéu na ponta do cajado ou, com a outra ponta do cajado, empurra as pedrinhas que estão diante dele.

"Mas nem sequer uma tocou nos pés da Bela Senhora!", desculpar-se-ia alguns dias mais tarde.- "Ela disse-me qualquer coisa, ao mesmo tempo que dizia: Tu não dirás nem isto, nem aquilo". Depois, não ouvi mais nada, e durante esse tempo, brincava".

Assim, a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Mélanie. E novamente, os dois em conjunto, ouvem as seguintes palavras:

Se se converterem, as pedras e rochedos transformar-se-ão em montes de trigo, e as batatinhas serão semeadas nas terras.

Rezais como deve ser, meus filhos?

"Não muito, Senhora", respondem as duas crianças.

Ah! Meus filhos, é preciso rezar bem, à noite e de manhã, dizendo ao menos um Pai Nosso e uma Avé Maria quando não puderdes rezar mais. Quando puderdes rezar mais, dizei mais.

Durante o verão, só algumas mulheres mais idosas vão à Missa. Os outros trabalham ao domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quanto não sabem o que fazer, não vão à Missa senão para troçar da religião. Durante a Quaresma vão ao matadouro como cães.

Nunca vistes trigo estragado, meus filhos?

"Não, minha Senhora" , responderam eles.

Então, dirigindo-se a Maximo:

Mas tu, meu filho, tu deves tê-lo visto uma vez, perto do Coin, com teu pai. O dono da campo disse a teu pai que fosse ver o trigo estragado. Ambos fostes até lá. Ele tomou duas ou três espigas nas mãos, esfregou-as e tudo caiu em pó. Ao voltardes, quando estáveis a meia hora de Corps, teu pai deu-te um pedaço de pão dizendo-te: "Toma, meu filho, come pão neste ano ainda, pois não sei quem dele comerá no ano próximo, se o trigo continuar assim.

Maximino responde:-

"É verdade, Senhora, agora lembro-me. Há pouco já não me lembrava mais".

E a Bela Senhora conclui, não mais em dialecto, mas sim em francês:

Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo.
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As Primeiras testemunhas

Maximino Giraud

Maximino Giraud nasceu em Corps, em 26 de agosto de 1835. Sua mãe, Ana Maria Templier, é originária da região. Seu pai, Germano Giraud, é proveniente de uma região próxima. Maximino tinha dezassete meses quando a mãe morreu, deixando também uma menina de oito anos, Angélica. Pouco depois, o Sr. Giraud casa novamente. Maximino foi crescendo sem rumo. O pai, feabricante de carroças, vive na oficina ou na taberna. A esposa não tem atracção nenhuma pelo garoto, vivo, descuidado, que não consegue ficar em casa, mas deambula pelas ruas de Corps, atrás de diligências e carroças, ou vagueando pelas estradas com uma cabra e um cão. O garoto é facilmente matreiro, com um olhar vivo sob uma negra cabeleira desgrenhada, e uma língua solta... Durante a Aparição, enquanto a Bela Senhora se dirige a Mélanie, faz girar o chapéu no alto do cajado, ou com outra ponta, brinca com as pedrinhas em torno dos pés da Bela Senhora. - "Nenhuma a tocou!", responderá ele, espontaneamente, a seus inquiridores. Cordial, desde que se sinta amado. Malicioso quando querem ter mão nele. A sua adolescência foi difícil. Nos três anos seguintes à Aparição, perde o seu meio-irmão João Francisco, a madrasta Maria Court, e o pai, o carpinteiro Giraud. É posto sob a tutela do irmão de sua mãe, o tio Templier, homem rude e interesseiro. Na escola, a sua evolução nos estudos é modesta. A Irmã Santa Tecla que o acompanha de perto, chama-lhe "o eterno movimento". Acrescentem-se a isto, as pressões exercidas pelos peregrinos e curiosos. Nessas circunstâncias, alguns iluminados legitimistas, partidários de um pretenso filho de Luís XVI, querem manipulá-lo para fins políticos. Maximino mistifica-os com historietas. Contra os conselhos do Pároco de Corps e desrespeitando a interdição do Bispo de Grenoble, conduzem o adolescente a Ars. Maximino não gosta da companhia deles, mas aproveita a ocasião para conhecer este local. São recebidos pelo imprevisível Pe. Raimundo que, logo de início, trata o facto de La Salette como aldrabice, e os videntes como mentirosos. Durante a manhã de 25 de setembro de 1850, o Cura d'Ars encontra-se por duas vezes com Maximino, uma na sacristia, e outra no confessionário, mas sem confissão. Que lhe poderá ter contado aquele adolescente exasperado? O resultado é que, durante anos, o santo Cura d'Ars não parará de duvidar e de sofrer. Depois da circular de 1851 remeterá os seus interlocutores para o julgamento emitido pelo Bispo responsável. Ele próprio demorou vários anos a aceitar o facto e a reencontrar a paz.

Quanto a Maximino, mesmo afirmando que jamais se desmentiu, terá muitas dificuldades em justificar o seu comportamento. Basta enumerar os locais por onde passou para se avaliar a que ponto o jovem Maximino andou daqui para ali: do seminário menor de Grenoble (Le Rondeau) à Grande Chartreuse, do presbitério de Seyssin a Roma, de Dax a Aire-sur-Adour a Vésinet, depois, do colégio de Tonnerre a Petit Jouy em Josas, perto de Versailles, e a Paris. Seminarista, empregado num asilo, estudante de medicina falhando o bacharelato, trabalha numa farmácia, trabalha como guarda pontifício, rescindindo o contrato após seis meses e voltando a Paris. O jornal "La Vie Parisienne" atacou La Salette e os dois videntes. Maximino apresenta queixa e obteve uma rectificação. Em 1866 publica um opúsculo: -"A minha profissão de fé a respeito da Aparição de Nossa Senhora de La Salette". Nesse período, o Sr. e a Sra. Jourdain, um casal devotado ao serviço de Maximino, assegura-lhe certa estabilidade e paga as suas dívidas a ponto de se arruinar. Maximino aceita então associar-se a um comerciante de licores que faz uso de sua notoriedade para aumentar as vendas. O imprevisível Maximino não acha que é demais. Em 1870 foi mobilizado para o Forte Barrau, em Grenoble. Por fim, volta a Corps onde o casal Jourdain vem ao seu encontro. Os três vivem pobremente, ajudados pelos padres do Santuário, com a aprovação da Diocese. Em novembro de 1874, Maximino sobe ao local de peregrinação de La Salette. Diante de um auditório particularmente atento e comovido, apresenta a narrativa da Aparição como o fizera desde o primeiro dia. Será a última vez. A 2 de fevereiro de 1875, vai igualmente pela última vez, à igreja Paroquial. Na tarde de 1 de Março, Maximino confessa-se, recebe a Eucaristia bebendo um pouco de água de La Salette para engolir a hóstia. Cinco minutos mais tarde, entrega sua alma a Deus. Ainda não completara quarenta anos.

Os seus restos mortais repousam no cemitério de Corps, mas o seu coração encontra-se na Basílica de La Salette, perto do teclado do órgão. Era a sua última vontade, para assim marcar seu apego à Aparição:

"Creio firmemente, mesmo ao preço do meu sangue, na célebre aparição da Santíssima Virgem na Montanha de La Salette, a 19 de setembro de 1846. Aparição que defendi por palavras, por escritos e por sofrimentos... Com este sentimento dou o meu coração a Nossa Senhora de La Salette".

No mesmo testamento, este pobre nada mais tinha a legar que a sua fidelidade à fé da Igreja. O garoto atraente e instável que sempre foi, encontrou finalmente, junto da Bela Senhora, a afeição e a paz de Deus.


Mélanie Calvat

Mélanie Calvat nasceu em Corpo (Isère), em 7 de Novembro de 1831. Seu pai, Pedro Calvat, homem honesto e respeitado pelas pessoas da terra, inculcou no coração da menina os germes duma grande compaixão por Jesus crucificado mas, havendo falta de trabalho na sua aldeia, tinha de se ausentar muitas vezes para encontrar noutro lugar com que sustentar a família. A mãe, Júlia Bernaud, frívola e negligente nos seus deveres de família, teria querido levar a filha, ainda bebé, para as danças e divertimentos da aldeia. Mas Deus tinha predisposta esta criança para uma aversão inata por todas as vaidades mundanas; os gritos e as lágrimas de Mélanie, forçavam a mãe a traze-la para casa.

Este facto desencadeou uma malevolência inconcebível da parte da mãe. Como explicar os maus tratos cruéis que se seguiram, senão por um desígnio impenetrável de Deus, querendo desligara a sua pequena criatura predestinada, dos afectos mais legítimos para poder cumulá-la com uma superabundância de Graças e de favores celestes excepcionais. Expulsa de casa por várias vezes pela mãe, a pobre errante encontrou consolo em Jesus, escondido sobre a figura de uma amável criança que se dizia seu irmão. Este fez-se seu companheiro na solidão dos campos e das florestas, dirigindo-a até ao cimo da vida mística.

Desde que teve idade, a mãe mandou-a servir como pastora em diversos patrões das regiões vizinhas. Foi assim que se estava na montanha de La Salette, na companhia de Maximino Giraud, onde s Rainha do Céu lhes apareceu em lágrimas, no dia 19 de Setembro de 1864. Deus aos dois jovens pastores uma mensagem pública; depois, só a Maximino, um segredo; finalmente, a Mélanie uma mensagem que poderia tornar pública em 1858, bem como a Regra que deveria ser praticada pelos futuros filhos e filhas da Ordem da Mãe de Deus. Ao mesmo tempo, contemplava numa visão profética a vida e as obras desses novos Apóstolos.

A Aparição veio perturbar o modo de vida daquela que tinha passado os seus primeiros catorze anos retirada, longe do mundo. A missão de Mélanie foi das mais dolorosas. Ao transmitir as reprimendas e as vontades do Céus, a heróica mensageira condenou-se para o resto da vida às constantes e vingativas perseguições dum certo clero, demasiado imbuído de si mesmo para receber, por intermédio deste humilde instrumento, as descomposturas da Virgem e responder aos seus desejos. Caluniada, desprezada, Mélanie, sem vergar, trabalhou não obstante até ao fim da vida, na formação da Ordem dos Apóstolos. Várias tentativas de fundação, rapidamente reduzidas a nada por um Episcopado hostil, obtiveram-nos no entanto uma correspondência preciosa na qual a Pastora expõe, com uma sublime simplicidade, o espírito que a Virgem Maria quer ver reinar nos novos Apóstolos.

As perseguições condenaram Mélanie a uma vida errante por causa da qual foi classificada, além do mais, de inconstante. Por toda a parte em que passava, deixava o perfume sublime de todas as virtudes, distinguindo-se sobretudo na prática da humildade e do amor à cruz. Para preparar a vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos, Deus não podia suscitar alma mais crucificada, mais esquecida de si mesma. A Serva de Deus escreve: "É na escola do Calvário que se aprende a rara ciência do amor dos sofrimentos e do verdadeiro esquecimento de nós."
Os últimos meses da sua vida, Mélanie viveu em Altamura, Itália, sob a protecção de D. Cecchini. Foi aí que morreu em odor de santidade na noite de 14 para 15 de Dezembro de 1904.

Grégoire XVII proclamou Bem-aventurada Mélanie Calvat em 7 octobre 1984.

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Virgem de La Salette

Texto do segredo de La Salette escrito e datado por Mélanie Calvat em Castellmare, em 21 de Novembro de 1878.

Nihil Obstat et Imprimatur Datum ex Lycii Curia Episcopi, die 15 nov. 1879.
Carmelus Archus Cosma. Vicarius Generalis.

Virgem Maria:

Mélanie, aquilo que vos vou dizer agora, não será sempre segredo; podereis publicá-lo em 1858.

Os sacerdotes, ministros de meu Filho, os sacerdotes pela sua má vida, pelas suas irreverências e impiedade ao celebrar os Santos Mistérios, por amor ao dinheiro, amor à honra e aos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza.

Sim, os sacerdotes pedem vingança e a vingança está suspenso sobre as suas cabeças. Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus que, pelas suas infidelidades e a sua má vida, crucificam de novo o meu Filho!

Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam aos Céus e chamam a vingança, e eis que a vingança está à sua porta, porque não mais há ninguém que implore misericórdia e perdão para o povo; não mais há almas generosas, não mais há ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Eterno em favor do mundo.

Deus vai castigar duma forma sem comparação. Ai dos habitantes da terra! Deus vai esgotar a sua cólera e ninguém poderá subtrair-se a tantos males reunidos.

Os chefes, os que conduzem o povo de Deus descuraram a oração e a penitência, e o demónio obscureceu-lhes a inteligência; tornaram-se essas estrelas errantes que o velho diabo varrerá com a cauda para que pereçam.

Deus permitirá que a velha serpente realize divisões entre os que reinam, em todas as sociedades e em todas as famílias; sofrerão de males físicos e morais. Deus abandonará os homens a si mesmos e enviará castigos que se sucederão durante mais de 35 anos.

A sociedade está nas vésperas dos mais terríveis flagelos e dos maiores acontecimentos; serão governados por uma vara de ferro e beberão o cálice da cólera divina.

Que o Vigário de meu Filho, o Soberano Pontífice Pio IX, não saia mais de Roma depois de 1859. Mas, seja firme e generoso, combata com as armas da fé e do amor. Eu estarei com ele.

Que ele desconfie de Napoleão, o seu coração é duplo, e quando quiser ser ao mesmo tempo imperador e papa, em breve Deus o abandonará; ele é essa águia que, querendo sempre elevar-se, cairá sobre a espada de que queria servir-se para obrigar os povos a elevá-lo.

A Itália será castigada pela sua ambição, ao querer abandonar o jugo do Senhor; assim, será entregue à guerra; o sangue correrá de todos os lados; as igrejas serão fechadas ou profanadas.

Os sacerdotes, os religiosos serão expulsos; hão-de matá-los e de morte cruel. Muitos abandonarão a fé, e o numero de sacerdotes e de religiosos que se separarão da verdadeira religião será grande; entre essas pessoas encantar-se-ão mesmo bispos.

Que o Papa se acautele com os fazedores de milagres, porque chegou o tempo em que os prodígios mais espantosos acontecerão na terra e no ar.

No ano 1864, Lúcifer com um grande número de demónios serão destacados do inferno. Abolirão a fé pouco a pouco e até nas pessoas consagradas a Deus. Hão-de cegá-las de tal forma, que a menos duma graça particular, essas pessoas tomarão o espírito desses maus anjos. Várias casas religiosas perderão a fé por completo e muitas almas se perderão.

Os maus livros abundarão na terra e os espíritos das trevas espalharão por toda a parte um afrouxamento universal em tudo o que toca ao serviço de Deus. Terão um poder muito grande sobre a natureza; haverá igrejas para servir esses espíritos. Pessoas serão transportadas de um lugar a outro por estes espíritos maus, e mesmo sacerdotes, porque não são conduzidos pelo bom espírito do Evangelho, que é um espírito de humildade, de caridade e de zelo pela glória de Deus.

Farão com mortos e justos ressuscitem (quer dizer, que estes mortos tomarão a imagem das almas dos justos que viveram sobre a terra, a fim de melhor seduzir os homens; estes supostos mortos ressuscitados, que não serão outra coisa senão o demónio sob estas imagens, pregarão um outro Evangelho, contrário ao do verdadeiro Jesus Cristo, negando a existência do Céu, ou ainda a alma dos condenados. Todas estas almas parecerão como que unidas aos seus corpos).

Haverá por toda a parte prodígios extraordinários, porque se extinguiu a verdadeira fé e que a falsa luz ilumina o mundo.

Ai dos Príncipes da Igreja, que não farão senão acumular riquezas sobre riquezas, salvaguardar a sua autoridade e pregar com orgulho!

O Vigário de meu Filho terá muito que sofrer, porque, durante um tempo, a Igreja será entregue a grandes perseguições; será este o tempo das trevas; a Igreja sofrerá uma crise terrível.

Esquecida a santa Fé de Deus, cada um quererá guiar-se por si próprio e ser superior ao seu semelhante.

Os poderes civis e eclesiásticos serão abolidos, toda a ordem e justiça serão espezinhadas; não se verá senão homicídios, ódio, inveja, mentira e discórdia, sem amor pela pátria nem pela família.

O Santo Padre sofrerá muito. Estarei com ele até ao fim para receber o seu sacrifício.

Os maus atentarão várias vezes contra a sua vida sem poder acabar-lhe com os dias, mas nem ele nem o seu sucessor verão o triunfo da Igreja de Deus.

Os governos civis terão todos o mesmo desígnio que será o de abolir e fazer desaparecer todo o princípio religioso, para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e toda a espécie de vícios.

No ano de 1865, ver-se-á a abominação dos lugares santos; nos conventos, as flores da Igreja ficarão apodrecidas e o demônio será o rei dos corações.

Que aqueles que estão à cabeça de comunidades religiosas tomem cuidado quanto às pessoas que recebem, porque o demônio usará de toda a sua malícia para introduzir nas ordens religiosas pessoas dadas ao pecado, porque as desordens e o amor dos prazeres carnais estarão espalhados por toda a terra.

ACONTECIMENTOS PRÓXIMOS

A França, a Itália, a Espanha e a Inglaterra entrarão em guerra. O sangue correrá nas ruas. O Francês combaterá o Francês, o Italiano, o Italiano; depois haverá uma guerra (civil) geral que será terrível. Durante um tempo, Deus não mais se lembrará da França, nem da Itália, porque o Evangelho de Jesus Cristo não mais é conhecido. Os maus empregarão toda a sua malícia; hão-de matar-se, hão-de massacra-se uns aos outros, mesmo nas casas. Ao primeiro golpe da sua espada fulminante, as montanhas e a natureza toda tremerão de pavor, porque as desordens e os crimes dos homens atravessam a abóbada dos céus. Paris será queimada e Marselha submersa; várias grandes cidades serão abanadas e enterradas por tremores de terra; hão-de acreditar que tudo está perdido; não se verá senão homicídios, não se ouvirá senão o ruído de armas e blasfémias.

Os justos sofrerão muito. As suas orações, a sua penitência e as suas lágrimas subirão até ao Céu. E todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia, e pedirá o meu auxílio e a minha intercessão. Então, Jesus Cristo, por um acto da sua justiça e da sua grande misericórdia para com os justos, mandará os seus anjos dar a morte a todos os seus inimigos. De repente, os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e todos os homens dados ao pecado, perecerão, e a terra ficará como um deserto. Então a paz se fará, a reconciliação de Deus com os homens; Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado; a caridade florescerá por toda a parte. Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja que será forte, humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo. O Evangelho será pregado por toda a parte, e os homens farão grandes progressos na fé, porque haverá unidade entre os trabalhadores de Jesus Cristo e os homens viverão no temor de Deus. Esta paz entre os homens não será longa; vinte cinco anos de abundantes colheitas farão com que se esqueçam que os pecados dos homens são a causa de todos os sofrimentos que acontecem na terra.

ACONTECIMENTOS DISTANTES

Um percursor do Anticristo, com as tropas de várias nações, combaterá contra o verdadeiro Cristo, o Salvador do mundo; derramará muito sangue e procurará anular o culto de Deus para se fazer olhar como um deus. A terra será atingida por toda a espécie de pragas (além da peste e da fome, que serão gerias); haverá guerras até à última guerra que será então feita pelos dez reis do Anticristo, reis que terão todos os mesmo desígnio e serão os únicos que governarão o mundo. Antes dito acontecer, haverá uma falsa paz no mundo; não se pensará senão em divertir-se; os maus entregar-se-ão a toda a espécie de pecados, mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, os meus verdadeiros imitadores crescerão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. Felizes as almas humildes, conduzidas pelo Espírito Santo! Combaterei com elas até que alcancem a plenitude da idade. A natureza pede vingança para os homens e estremece de terror na expectativa do que deve acontecer à terra manchada de crimes. Tremei, terra, e vós que fizestes profissão de servir Jesus Cristo e que, por dentro, vos adorais a vós mesmos; tremei, porque Deus vai entregar-vos ao seu inimigo, porque os lugares santos estão na corrupção; muitas conventos não mais são as casas de Deus, mas pastagens de Asmodeu e dos seus. Será durante esse tempo que nascerá o Anticristo, duma religiosa hebraica, duma falsa virgem que terá comunicação com a velha serpente, a mestra da impureza; o pau será um bispo. Ai nascer vomitará blasfémias, terá dentes, numa palavra, será o diabo incarnado; dará gritos assustadores, fará prodígios, alimentar-se-á apenas de impurezas. Terá irmãos que, embora não sejam como ele demónios incarnados, serão filhos do mal; aos doze anos, tornar-se-ão notórios pelas suas valorosas vitórias que alcançarão. Rapidamente estará cada um à frente dos exércitos, assistidos pelas legiões do inferno. As estação serão alteradas, a terra só produzirá maus frutos, os astros perderão os seus movimentos regulares, a lua não reflectirá senão uma fraca luz avermelhada, a água e o fogo darão ao globo da terra movimentos convulsivos e horríveis terramotos que engolirão as montanhas, as cidades, etc. Roma perderá a fé e será a sede do Anticristo. Os demónios do ar com o Anticristo farão grandes prodígios na terra e nos ares, e os homens hão-de perverter-se cada vez mais. Deus cuidará dos seus fiéis servidores e dos homens de boa vontade: O Evangelho será pregado em toda a aparte. Todos os povos e todas as nações terão conhecimento da verdade!

Dirijo um apelo urgente à terra. Chamo os verdadeiros discípulos do Deus vivo e que reina nos Céus. Chamo os verdadeiros imitadores de Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens. Chamo os meus filhos, os meus verdadeiros devotos, os que se deram a mim para que os conduza ao meu divino Filho, aqueles que, por assim dizer, tomo nos meus braços, aqueles que viveram do meu espírito.

Finalmente, chamo os Apóstolos dos últimos tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e deles próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e no união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo.

É tempo de saírem e virem iluminar a terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos queridos. Estarei convosco, em vós, desde que a vossa fé seja a luz que vos ilumine nesses dias de desgraça.

Que o vosso zelo vos torne como sedentos da glória e da honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, vós pequeno número que vedes claro, porque eis o tempo dos tempos, o fim dos fins. A Igreja será eclipsada, o mundo ficará consternado. Mas eis Enoque e Elias cheios do Espírito de Deus. Pregarão com a força de Deus e os homens de boa vontade acreditarão em Deus, e muitas almas serão consoladas. Elas farão grandes progressos pela virtude do Espírito Santo e condenarão os erros diabólicos do Anticristo. Ai dos habitantes da terra! Haverá guerras sangrentas e fomes, pestes e doenças contagiosas. Haverá chuvas com granizos assustadores, trovões que abalarão cidades, tremores de terra que engolirão países. Ouvir-se-ão vozes nos ares, os homens baterão com a cabeça nas paredes, chamarão pela morte e, por outro lado, a morte será o seu suplício, o sangue escorrerá por todo os lados. Quem poderá vencer se Deus não abrevia o tempo da provação? Pelo sangue, as lágrimas e as orações dos justos, Deus se deixará comover. Enoque e Elias serão mortos. Roma pagã desaparecerá. O fogo do Céu cairá e consumirá três cidades. Todo o universo será atingido pelo terror e muitos se deixarão seduzir porque não adoraram o verdadeiro Cristo vivo no meio deles. É tempo, o sol obscurece-se, só a fé viverá. Eis o tempo, abre-se o abismo. Eis o rei dos reis das trevas. Eis a besta com os seus seguidores, dizendo-se salvadora do mundo. Elevar-se-á com orgulho nos ares para ir até ao Céu. Ficará sufocada pelo sopro de S. Miguel Arcanjo. Cairá e a terra que, desde há três dias estará em contínua evolução, abrirá o seu seio cheio de fogo e ele será aí mergulhado para sempre com todos os seus nos abismos eternos do inferno. Então, a água e o fogo purificarão a terra e consumirão todas as obras do orgulho do homem, e tudo será renovado: Deus será servido e glorificado.

Bem-aventurada MÉLANIE CALVAT
Pastora de La Salette
(1831-1904)

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LA SALETTE: “O CORAÇÃO DAS MENSAGENS DE MARIA” (1846)

“(...) Uma série de guerras terá lugar antes da última, na qual combaterão os dez reis aliados do anticristo, que serão os únicos governantes do mundo. Antes disto, porém, haverá uma falsa pazAs pessoas só pensarão em se se divertir... (...)
(Trecho da mensagem de Nossa Senhora em La Salette, no dia 19 de setembro de 1846).
A partir de La Salette, a Virgem nunca mais pararia de chorar as lágrimas amargas que, naquela ocasião lhe corriam pelas faces, lágrimas de dor pelos homens cegos, que continuam crucificando Seu Filho

A mensagem de Maria Santíssima dada no obscuro vilarejo dos Alpes franceses apresenta-se como o centro de todas as Suas mensagens.
No dizer de Antônio Marques Bessa, ela é o “ponto estelar onde a Virgem inicia um discurso profético no qual revela o medonho futuro da humanidade... Narra a vôo de águia os momentos cruciais de uma guerra invisível e muito próxima. Fala na mentalidade de perdição que tomará conta do mundo, na corrupção dos ministros da Igreja, no plano mundial para a destruição do Espírito Santo e da presença de Deus, no aniquilamento de nações e na queda das monarquias, no relaxamento e na abominação que reinará nos lugares santos”.
“Significativamente —prossegue Bessa— a aparição teve lugar na mesma hora em que a tradição situa a morte de Jesus. A partir dali, a Virgem nunca mais pararia de chorar as lágrimas amargas que, naquela ocasião lhe corriam pelas faces, lágrimas de dor pelos homens cegos, que continuam crucificando Seu Filho”. 

"Aproximem-se, filhos, não tenham medo: estou aqui para lhes anunciar uma grande notícia”

Melânia Calvat relata: "Vi uma luz mais brilhante que o sol..."
Naquele distante dia 19 de setembro de 1846, exatamente às 15 horas, as duas crianças Melânia Calvat (15 anos) e Maximino Giraud (11 anos) têm a visão simultânea da Mãe de Jesus.
“Subitamente — relata Melânia Calvat — vi uma luz mais brilhante que o sol... estava imóvel. Logo se abriu e vi uma belíssima Senhora, que aparecia sentada sobre o nosso 'paraíso' (uma casinha de pedras, que tinham construído), com o rosto apoiado nas mãos.
A bela Senhora levantou-se, cruzou os braços, e fixando-nos disse: 'Aproximem-se, filhos, não tenham medo: estou aqui para lhes anunciar uma grande notícia'”.

Enquanto a Virgem falava as lágrimas rolavam de seus belos olhos

O segredo de Melânia, escrito de próprio punho em 1851


Maximino conta que essas doces palavras “fizeram-me voar até Ela”. Segundo o humilde pastor, enquanto a Virgem falava “as lágrimas começaram a rolar de seus belos olhos. Disse:
'Se o meu povo não quiser se converter, serei obrigada a deixar cair a mão de meu Filho. Ela é tão pesada que já não consigo sustentá-la'”.
A Virgem queixou-se do trabalho manual aos domingos e da blasfêmia dos homens. Em seguida revelou a Maximino um curto segredo, que nunca deveria revelar. À Melânia, revelou outro, bem mais longo, que poderia tornar público a partir de 1858. No local onde Seus pés tocaram jorrou uma nascente, que nunca mais secou.
O culto a Nossa Senhora da Salette foi autorizado em 1851, cinco anos depois da aparição. No entanto, o conteúdo da mensagem passaria a ser motivo de grandes problemas para o resto da vida das duas crianças videntes e motivo de graves dissenções no clero.

O papa Pio IX ficou convencido da origem celeste dos segredos

Em 1852 o papa Pio IX, depois de aprovar a aparição e ficou convencido da origem celeste dos segredos
Em 1852 o papa Pio IX, depois de aprovar a aparição, manifestou o desejo de conhecer os dois segredos. Os videntes, agora já alfabetizados, escreveram o conteúdo dos dois segredos pelo próprio punho, na presença de testemunhas eclesiásticas, e em seguida, foram formalmente remetidos ao papa.
Diante dos dois padres franceses que lhos entregaram fechados e selados, o rosto do sumo-pontífice se alterou e exclamou:
“Oh, isto é muito sério”!
Prometeu que meditaria naquela noite sobre tão importante mensagem. Na manhã seguinte, os padres receberam a seguinte nota: “O papa ficou convencido da origem celeste dos segredos. Ele os terá em conta nas ações que deverá empreender”. 
Ficava assim reconhecido pelo próprio papa a sobrenaturalidade da aparição e da mensagem. Em outra ocasião Pio IX diria abertamente: “O que há nos segredos de La Salette? Bem, são as palavras do Evangelho: se não fizerdes penitência, todos perecereis”.

Todos os esforços para obterem uma proibição formal da mensagem de La Salette foram em vão

O papa Leão XIII reconheceu e apoiou a mensagem

Também o papa Leão XIII reconheceu e apoiou a mensagem.
No entanto, o Segredo de Melânia, que contém as mais longas e graves profecias só foi publicado trinta e três anos depois, em 1879, com o nihil obstat-imprimatur de dom Zola, bispo de Lecce.
Essa publicação deu início ao calvário de Melânia através de incompreensões, perseguições gratuitas e até mesmo o exílio, como uma espécie de represália da parte dos bispos franceses, que pretendiam colocar a mensagem do segredo no Index, isto é, a relação de livros proibidos pela Igreja.
Mas “todos os esforços para obterem sua proibição formal foram em vão”, escreveria dom Zola, em 1896.

O papa João Paulo II considerava a mensagem de La Salette como “o coração das profecias de Maria”

Para o papa João Paulo II a mensagem de La Salette era “o coração das profecias de Maria”
Em pouco tempo, com a bênção e encorajamento do papa, de vários bispos e teólogos, e com edições sucessivas em várias dioceses, o segredo de La Salette se espalha pelo mundo inteiro.
A partir de então, a aceitação da origem sobrenatural dessa mensagem de Maria Santíssima passou a causar uma grande e interessante cisão no seio do clero que permanece até os dias de hoje.
E aqui é importante ressaltar que o papa João Paulo II considerava a mensagem de La Salette como “o coração das profecias de Maria”.
Ted e Maureen Flyn lembram que a mensagem dada em La Salette é “dirigida não só à França, mas à Igreja do mundo inteiro”.
Para eles, a mensagem “detalha minuciosamente acontecimentos mundiais futuros de grande importância para nossos tempos... A apostasia que estamos vivendo foi totalmente prognosticada em La Salette, e a mensagem ali recebida ajuda a explicar por que o demônio tem tanto poder no mundo atual, embora no momento esteja perdendo a força, conforme assegura a Santíssima Virgem”.

Cloacas de impureza

A Mãe de Jesus começa extravasando sua mágoa diante da calamitosa situação dos ministros de Seu Filho, que deveriam estar cumprindo o papel de verdadeiros guias espirituais de seu povo
Neste ponto de nosso estudo, veremos alguns tópicos dessa importante mensagem de Maria Santíssima.
Após falar a Melânia: “O que vou lhe dizer agora não será segredo para sempre... poderá publicá-lo em 1858”, a Mãe de Jesus começa extravasando sua mágoa diante da calamitosa situação dos ministros de Seu Filho, que deveriam estar cumprindo o papel de verdadeiros guias espirituais de seu povo:
“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela vida ruim que levam, pelas suas irreverências e falta de piedade ao celebrarem os santos mistérios, pelo amor ao dinheiro, às honrarias e prazeres, transformaram-se em cloacas de impureza. Muitos abandonaram a fé, e grande será o número de padres e religiosos que apostatarão da religião verdadeira: entre eles haverá até bispos. Será o tempo das trevas. Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus que, pelas suas infidelidades e má vida estão crucificando novamente ao meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas clamam ao céu, pedindo vingança, e a vingança agora está às portas, porque não se encontra mais ninguém para implorar misericórdia e perdão pelo povo; não há mais almas generosas; não há mais ninguém digno de oferecer um sacrifício sem mancha ao Deus Eterno em favor do mundo.
(Por isso) Deus vai castigar de maneira sem precedentes. Ai dos habitantes da terra! Deus vai esgotar sobre eles sua cólera e ninguém conseguirá escapar de tantos males juntos. Os chefes, os guias do povo de Deus, negligenciaram a oração e a penitência, e o demônio obscureceu suas inteligências; tornaram-se assim aquelas estrelas errantes, que a velha serpente arrastará com sua cauda para fazê-los perecer
"Deus permitirá que a antiga serpente ponha divisões entre os que regem as sociedades e as famílias. Sofrer-se-ão angústias físicas e morais. Deus abandonará a humanidade a si própria e enviará um castigo após outro. A sociedade está às vésperas das mais terríveis calamidades e dos maiores acontecimentos. Que se prepare para ser governada com vara de ferro e beber o cálice da ira de Deus”. 

Apostasia e desorientação

Em primeiro plano a profecia daapostasia, que começa e se desenvolve na esfera superior dos consagrados
Bessa destaca nesse trecho da profecia “em primeiro plano a profecia da apostasia (perda da verdadeira fé), que começa e se desenvolve na esfera superior dos consagrados: sacerdotes, bispos, religiosos e religiosas. A tibieza, a frieza e a impiedade das almas eleitas — diz a Virgem — 'estão crucificando de novo o meu Filho'. E usa de palavras duras para qualificar esse estado de coisas: 'os sacerdotes transformaram-se em cloacas de impureza'”.
“Essa verificação, estranha e forte para o século XIX — prossegue Marques Bessa — atinge praticamente o nosso tempo e aplica-se à desorientação e à reivindicação do mundo, que penetrou no clero e nos consagrados em geral”.

"Que o Vigário de meu Filho, o Soberano Pontífice Pio IX, não saia mais de Roma depois do ano 1859; mas seja firme e generoso, combata com as armas da fé e do amor; Eu estarei com ele"

Napoleão III, (1808 – 1873, imperador francês nascido em Paris, que com um golpe de estado tornou-se imperador, interrompendo o regime republicano. Filho de Luís Bonaparte, rei da Holanda, e Hortênsia de Beauharnais, respectivamente, irmão e enteado do imperador deposto (1815) Napoleão Bonaparte e, portanto sobrinho deste. Passou a juventude exilado na Alemanha e na Suíça, participou da Carbonária (1830-1831), revolta contra a autoridade papal na Itália e com a morte do único filho de Napoleão Bonaparte (1832), tornou-se a principal figura do movimento bonapartista
Um aspecto da profecia que se cumpriu fielmente está no pedido feito por Nossa Senhora ao papa Pio IX para que não saia de Roma, depois de 1859, e combata “com as armas da fé e do amor”, e se mantenha alerta contra as manobras da Maçonaria e “desconfie de Napoleão”, embora em 1846, ele ainda sequer tivesse surgido na política interna da França.
"Que o Vigário de meu Filho, o Soberano Pontífice Pio IX, não saia mais de Roma depois do ano 1859; mas seja firme e generoso, combata com as armas da fé e do amor; Eu estarei com ele. Que ele desconfie de Napoleão [III]; seu coração é falso, e quando ele quiser tornar-se ao mesmo tempo Papa e Imperador, Deus se afastará dele; ele é como a águia que, querendo subir sempre mais, cairá sobre a espada da qual queria se servir para obrigar os povos a elevarem-no”. 
Neste caso específico, Maria refere-se ao maçom carbonário Napoleão III, futuro imperador da França de 1852 a 1873.
A veracidade da profecia se concretiza a partir do momento em que no ano de 1846, quando o segredo foi revelado a Melânia, ninguém imaginava que outro Napoleão surgiria na França, muito menos o imperador Napoleão.
O único sucessor possível do grande Napoleão era seu sobrinho, considerado fútil e idiota e, naquele momento, se encontrava preso no forte de Ham, condenado à prisão perpétua.
É fato histórico que ele ganharia liberdade apenas em julho de 1851, por ocasião do golpe de Estado e do Segundo Império. Apenas feito imperador, declarou guerra a Melânia.

Ninguém mais ria do apocalipse de La Salette

Napoleão III desejou tomar o papado, quase exatamente como seu famoso tio, Napoleão I
O pesquisador Ingo Swann lembra que a profecia sobre um novo Napoleão deve ter sido motivo de riso e foi um choque quando o idiota fútil foi eleito presidente da França em dezembro de 1848.
Quanto a Pio IX, em 1848, dois anos depois de eleito papa, confusões políticas e tumultos fizeram-no sair de Roma e ir para Gaeta. Voltou a Roma em 1850 para ser apoiado no poder só pelos exércitos do novo Napoleão. Foi justamente neste ano de 1851 que esse pontífice recebeu o apocalipse de La Salette.
Swann prossegue: “Essa passagem deve ter impressionado muitíssimo o pontífice e todo mundo também. Finalmente, havia também certa verdade sobre a questão de Napoleão III desejar tomar o papado —quase exatamente como seu famoso tio, Napoleão I, tinha pensado em fazer. Se a profecia da Senhora sobre fome e doenças (que se cumprira integralmente) tinha sido impressionante, as sobre Napoleão III foram comovedoras quando se realizaram. Ninguém mais ria do apocalipse de La Salette”.

Muitos abandonarão a fé, e o número dos sacerdotes e religiosos que se afastarão da verdadeira religião será grande

A Santíssima Virgem anunciou uma sucessão de guerras civis que deflagariam na França, na Espanha e na Inglaterra
Com relação à Itália, a Virgem profere novos vaticínios:
“A Itália será punida pela ambição de querer sacudir o jugo do Senhor dos Senhores; será também entregue à guerra, o sangue correrá por todo lado; as igrejas serão fechadas ou profanadas; os sacerdotes, os religiosos serão expulsos; dar-se-lhes-á a morte, e morte cruel. Muitos abandonarão a fé, e o número dos sacerdotes e religiosos que se afastarão da verdadeira religião será grande; entre essas pessoas se encontrarão até bispos”.
Referindo-se aos graves conflitos que se sucederiam:
“A França, a Espanha e a Inglaterra estarão em guerra. O sangue correrá pelas ruas. O francês lutará contra o francês, o italiano contra o italiano. Virá uma guerra, que será medonha. Por algum tempo Deus se esquecerá da França e da Itália, porque esqueceram o Evangelho de Jesus Cristo”.
Ao dizer que o sangue correria entre irmãos de uma mesma nacionalidade, a Santíssima Virgem anunciava uma sucessão de guerras civis que deflagariam na França, na Espanha e na Inglaterra. E também parece referir-se ao que poderia ser uma Terceira Guerra nuclear,  uma “guerra geral, que será medonha”.

"Os espíritos das trevas difundirão por toda parte o relaxamento em tudo o que constitui o serviço de Deus"

A Virgem predisse a fúria de Lúcifer que se desencadearia gradativamente sobre uma humanidade intelectualizada, corrompida e descrente

Para os cristãos modernos que colocaram Satanás na berlinda, contrariando frontalmente os ensinos e alertas de Jesus contidos nos Evangelhos a esse respeito, a Virgem prediz a fúria de Lúcifer que se desencadearia gradativamente sobre uma humanidade intelectualizada e descrente:
“No ano de 1864, Lúcifer e um grande número de demônios serão soltos do inferno e, pouco a pouco, acabarão com a fé, até das pessoas consagradas a Deus. Muitas instituições religiosas perderão completamente a fé, fazendo com que se percam muitas almas. O mundo abundará de livros maus, e os espíritos das trevas difundirão por toda parte o relaxamento em tudo o que constitui o serviço de Deus. Terão grande poder sobre a natureza e se construirão templos para cultuá-los”.
“No ano de 1865, ver-se-á a abominação nos lugares santos. Nos conventos, as flores da Igreja estarão putrefatas, e o demônio se converterá em rei dos corações”.

Ofensiva anti-religiosa atingiu o auge na França, após a derrota de 1870, com o surgimento maçônico da Comuna e assassinatos em grande escala

Ofensiva anti-religiosa que atingiu o auge na França, após a derrota de 1870, com o surgimento maçônico da Comuna, com assassinatos em grande escala, inclusive de sacerdotes e religiosos e do cardeal-arcebispo de Paris
Sobre essas calamidades preditas para os anos 1864/1865, Câmpora explica: estes dois anos “se referem à ofensiva anti-religiosa e anticatólica em toda a Europa, na qual nem todos os padres e religiosos permaneceram fiéis. Referem-se em especial à Itália, com a luta do carbonarismo, 'a jovem Itália', o Piemonte, Garibaldi, Mazzini, Cavour e outros, com a religião, a Igreja, o papa e os estados pontifícios, que culminou com o saque de Roma e a reclusão voluntária de Pio IX e seus sucessores no Vaticano. Ofensiva anti-religiosa que atingiu o auge na França, após a derrota de 1870, com o surgimento maçônico da Comuna, com assassinatos em grande escala, inclusive de sacerdotes e religiosos e do cardeal-arcebispo de Paris”.
Aos que presidem as comunidades religiosas a Virgem recomenda:
“Estejam atentos com os que vão admitir, porque o demônio usará de todos os ardis para introduzir nas Ordens religiosas pessoas dadas ao pecado, pois as desordens e os prazeres da carne estarão por toda a terra”.

Período sucedâneo à profecia de La Salette torna-se um marco histórico no que poderíamos denominar de perda da fé

Satanás encontra um mundo que o recebe de braços abertos, já preparado pela Revolução Francesa em 1789, pelas campanhas maçônicas libertárias, napoleônicas e liberais, pelos clubes enciclopedistas e pelas lojas maçônicas, onde confraternizavam militares, príncipes, banqueiros, bispos e sacerdotes, reis e aristocratas
A perda da fé é a vitória do demônio, que por essa estratégia, faz com que religiosos se apartem de Deus.
“A segunda metade do século XX —diz Marques Bessa— e todo o século XX o tempo por excelência da ação direta do maligno. Ação que adquire tanto mais ímpeto no mundo quanto menos for a força da oração e da piedade. O diabo vai encontrar um mundo que o recebe de braços abertos, já preparado pela Revolução Francesa em 1789, pelas campanhas maçônicas libertárias, napoleônicas e liberais, pelos clubes enciclopedistas e pelas lojas maçônicas, onde confraternizavam militares, príncipes, banqueiros, bispos e sacerdotes, reis e aristocratas”.
“Deus na sua justiça — é ainda Bessa quem fala — não faz mais que atender ao apelo dos homens, deixando cair sobre o mundo aquele que não tinham cessado de reverenciar e chamar, recusando obstinadamente o suave jugo do amor divino”.
É inegável que o período sucedâneo à profecia de La Salette torna-se um marco histórico no que poderíamos denominar de perda da fé.

A falsa luz ilumina o mundo

A falsa luz ilumina o mundo'. Essa luz satânica será ainda a única a brilhar, enquanto os milagres tecnológicos e científicos contribuirão para aumentar ainda mais o orgulho dos filhos de Caim
Conforme comenta Bessa:
“Após a libertação de Lúcifer e suas hordas, tudo se acelera. A força do maligno dirigir-se-á contra a fé e procurará aboli-la, conseguindo sua finalidade quase por completo, a começar por aqueles cujo primeiro dever era guardá-la intacta. A descrição profética torna-se aqui mais concreta: mencionam-se os livros maus que abundarão sobre a terra, e que hoje todos vemos. Eles vão da pornografia descarada ao ateísmo e à impiedade militante. Para servir os espíritos maus que imperam no mundo surgirão igrejas, com seus sacerdotes e seus locais de adoração, freqüentados pela sociedade em quase todas as capitais da terra. Mas, além deste culto satânico, há todo um conjunto de igrejas secretas, espíritas, pentecostais, maçônicas, falsos messias, enfim, toda uma nuvem de treva que atrai cada vez mais almas para o abismo, perante um indiferentismo generalizado da Igreja institucional, onde também penetrou, segundo as palavras de Paulo VI, a 'fumaça de Satanás'. Daí a conclusão inevitável: 'a falsa luz ilumina o mundo'. Essa luz satânica será ainda a única a brilhar, enquanto os milagres tecnológicos e científicos contribuirão para aumentar ainda mais o orgulho dos filhos de Caim. A verdadeira fé, feita de piedade e temor de Deus, terá desaparecido ou estará oculta em alguns corações”.

“O Vigário de meu Filho terá de sofrer muito, porque por um tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições"

“O Vigário de meu Filho terá de sofrer muito"


O declarado objetivo de erradicar o Cristianismo da face da terra, através da virulência dos ataques à pessoa do papa e à Igreja, fica explícito nas seguintes palavras de Maria Santíssima:
“O Vigário de meu Filho terá de sofrer muito, porque por um tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições: será o tempo de trevas... Tendo-se esquecido de Deus, os indivíduos quererão viver exclusivamente para si mesmos e ser superiores aos de sua mesma classe. Suprimirão os direitos civis e eclesiásticos, toda ordem e justiça serão pisoteadas. Ver-se-ão apenas crimes, ódios, invejas, mentiras e desavenças. Desaparecerá o amor à pátria e à família. Todos os governos civis terão um mesmo objetivo: abolir de uma vez por todas os princípios religiosos, para assim deixar aberto o caminho ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritualismo e a toda espécie de vícios”.

Uma conjuração mundial oculta, com dirigentes escondidos, que senhoreiam e dirigem os mandaretes das nações

A mensagem de La Salette dá uma idéia do poder maléfico instalado nas cúpulas das nações. Claramente ela denuncia a existência de um plano para destruir a fé
A esta passagem, comenta Marques Bessa:
“Esta declaração de Maria dá uma idéia do poder maléfico instalado nas cúpulas das nações. Claramente ela denuncia a existência de um plano para destruir a fé. Um plano que é levado adiante, não por este ou aquele governo, mas por 'todos os governos'. Tal fato só pode significar a existência de uma conjuração mundial oculta, com dirigentes escondidos, que senhoreiam e dirigem os mandaretes das nações. Essas organizações ocultas, com poder nos governos, não podem deixar de ter relações com a maçonaria e suas diversas dependências mundiais, os organismos internacionais e os clubes financeiros do mundo... O plano deles é o mesmo previsto pela serva de Deus Catarina Emmerich: a demolição do templo de Deus e a construção de um templo ao diabo, onde todos caibam unidos na filantropia, no relativismo, no racionalismo e no internacionalismo”.

Um precursor do anticristo, com um exército composto de muitas nações

Este precursor preparará o caminho, aberto por uma nova traição dos sacerdotes
Outra passagem terrível da mensagem, igualmente prevista por Jesus, pelos profetas e muitos santos da Igreja, refere-se à chegada do anticristo:
“Um precursor do anticristo, com um exército composto de muitas nações”.
Este precursor preparará o caminho, aberto por uma nova traição dos sacerdotes, conforme podemos conjeturar no item 25 da mensagem:
“Ai dos príncipes da Igreja que se preocuparam apenas em amontoar riqueza sobre riqueza, em salvaguardar sua autoridade e dominar com orgulho! Tremei, ó terra, e vós que fazeis profissão de servir Jesus Cristo e que dentro de vós adorais a vós mesmos. Tremei, porque Deus vai entregar-vos ao seu inimigo, pois os lugares santos caíram na corrupção; muitos conventos já não são casas de Deus, e sim pastos de Asmodeu e dos seus”.
Ou seja, corrupção da fé e luxúria, uma vez que Asmodeu é o demônio da luxúria e das uniões pecaminosas.

O anticristo derramará muito sangue e pretenderá aniquilar o culto de Deus, para ser considerado ele mesmo como Deus

Nascerá o anticristo de uma religiosa hebréia, de uma falsa virgem, que terá comunicação com a antiga serpente, a mestra da impureza...
A Virgem em La Salette prossegue, alertando sobre o anticristo:
“Combaterá o verdadeiro Cristo, o único Salvador do mundo: derramará muito sangue e pretenderá aniquilar o culto de Deus, para ser considerado ele mesmo como Deus. A terra será castigada com todo tipo de calamidades (além da peste e da fome, que serão gerais). Uma série de guerras terá lugar antes da última, na qual combaterão os dez reis aliados do anticristo, que serão os únicos governantes do mundo. Antes disto, porém, haverá uma falsa paz. As pessoas só pensarão em se divertir”.
Será então neste momento de mentalidade de diversão e de falsa paz, motivada pela total descrença da possibilidade da alma perder-se para sempre de seu Criador por sua exclusiva livre escolha que:
“Nascerá o anticristo de uma religiosa hebréia, de uma falsa virgem, que terá comunicação com a antiga serpente, a mestra da impureza... será o demônio encarnado. Seu pai será bispo... será uma encarnação do demônio”. 
Ainda segundo Bessa, “com alianças militares e com sua própria força, o anticristo apossar-se-á da terraajudado pelas força malignas. O seu reino se estabelecerá e ele pensará ter usurpado o reino de Jesus. A sua habilidade suprema consistirá em fazer-se passar pelo verdadeiro Cristo e exigir a adoração reservada ao Senhor”.

“O Papa deve acautelar-se contra os fazedores de milagres, porque chegou o tempo em que se hão de operar os mais estupendos prodígios na terra e no ar”

Haverá em todos os lugares portentos extraordinários, porque a fé verdadeira se apagou, e uma falsa luz ilumina o mundo...
Nossa Senhora em Salette explica que, com a ajuda do anticristo:
“Os demônios do ar farão grandes prodígios na terra e nos ares, e os homens se perverterão mais e mais”.
Por isso, “o Papa deve acautelar-se contra os fazedores de milagres, porque chegou o tempo em que se hão de operar os mais estupendos prodígios na terra e no ar”.
“Haverá em todos os lugares portentos extraordinários, porque a fé verdadeira se apagou, e uma falsa luz ilumina o mundo...
“As estações serão alteradas, a terra só produzirá maus frutos, os astros sairão de suas órbitas, a lua só refletirá uma luz avermelhada. A água e o fogo imprimirão ao globo terrestre movimentos convulsivos, e horríveis terremotos devorarão montanhas e cidades”.

“Roma perderá a fé e se tornará a sede do anticristo”


"O sangue, as lágrimas e as orações dos justos aplacarão a Deus... A Roma pagã desaparecerá"
A revelação seguinte é a mais estarrecedora, quando a Virgem afirma que Rome perdra la foi et deviendra le siège de l´Anticrist, ou seja, “Roma perderá a fé e se tornará a sede do anticristo”.
“Ai dos habitantes da terra! Virão guerras sangrentas e fome, pestes e enfermidades contagiosas. Cairá uma espantosa saraivada de animais.

A tempestade sacudirá cidades, os terremotos engolirão países. Ouvir-se-ão vozes no ar. Os homens baterão com a cabeça nas paredes, pedindo a morte, porém a morte será o seu tormento. Correrá sangue por toda parte. Quem poderá vencer, se Deus não encurtar o tempo da prova? O sangue, as lágrimas e as orações dos justos aplacarão a Deus... A Roma pagã desaparecerá. O fogo do céu consumirá três cidades. O universo inteiro será presa de terror; e muitos se deixarão enganar, por não terem adorado o verdadeiro Cristo, que vivia entre eles. Chegou o tempo, o sol escurece, só a fé viverá. Eis o tempo: o abismo começa a abrir-se. Eis o rei dos reis das trevas; eis a besta que se proclama o salvador do mundo, e seus súditos. Elevar-se-á soberbo pelos ares, para subir ao céu. Mas será precipitado pelo sopro de São Miguel Arcanjo. Cairá, e a terra, que há três dias estava em contínuas evoluções, abrirá suas entranhas ardentes; e ele será precipitado com seus seguidores, nos abismos eternos do inferno. Então a água e o fogo purificarão a terra e consumirão todas as obras do orgulho humano e tudo será renovado.
“Far-se-á então a paz, a reconciliação de Deus com os homens. Cristo será servido, adorado e glorificado; a caridade renascerá em toda parte. Os novos reis serão o braço direito da Igreja, que será forte, humilde, piedosa e imitadora das virtudes de Cristo. O Evangelho será pregado por toda parte e a humanidade crescerá na fé, porque haverá unidade entre os obreiros de Jesus Cristo, e todos viverão no temor de Deus”.
Segundo Marques Bessa, “nestas palavras, reafirma-se um tempo profundamente cristão, simples e verdadeiro, com uma Igreja de luz, segura de sua missão e particularmente gloriosa. As repúblicas maçônicas darão lugar às monarquias e à legitimidade tradicional; povos e reis servirão ao Rei dos reis... Será um tempo feliz em que os homens voltarão possivelmente à agricultura e progredirão no conhecimento de Deus, realizando a unidade e pregando o Evangelho. O temor de Deus estará no coração das novas sociedades, que serão justas e pacíficas”.

"Chamo os apóstolos dos últimos tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, sofrendo ignorados pelo mundo"

Dirijo um urgente pedido à terra. Chamo os verdadeiros discípulos do Deus vivo...; chamo os meus filhos, os meus verdadeiros fiéis, os que se entregaram a mim...
Mas na mensagem de La Salette, que em seu teor esboça em traços largos a história do futuro, há ainda um pungente apelo da Virgem Santíssima:
“Dirijo um urgente pedido à terra. Chamo os verdadeiros discípulos do Deus vivo...; chamo os meus filhos, os meus verdadeiros fiéis, os que se entregaram a mim..., chamo enfim os apóstolos dos últimos tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, sofrendo ignorados pelo mundo. Já é hora de saírem e encherem de luz a terra. Vão e apresentem-se como meus filhos queridos. Estou com vocês e em vocês, desde que a fé seja a luz a iluminá-los nestes dias de infortúnio. Que o zelo os torne como que famintos da glória e da honra de Jesus Cristo. Combatam, filhos da luz, porque chegou o tempo de todos os tempos, o fim de todos os fins”.

Essa notável aparição de Maria sofreria ataques acirrados de incrédulos que diziam que as crianças tinham simplesmente inventado toda a história

As duas crianças, naturais de Corps, lugarejo a uns cinco quilômetros abaixo das encostas de La Salette, tinham se conhecido havia menos de 24 horas, ao serem contratados para pastorear o gado nas encostas montanhosas
Realmente é impressionante que toda essa mensagem tenha sido recebida por duas crianças analfabetas, totalmente incapazes de compreender alguma coisa além de suas rotinas de humildes pastoras.
Melânia, naquela ocasião com 14 anos, tinha sete irmãos e ainda era muito pequena quando a mandaram mendigar.
Maximino, então com onze anos, é descrito como “menino problema” que andava pelas ruas, onde também mendigava e cometia pequenos furtos na tentativa de arrumar algo para comer.
As duas crianças, naturais de Corps, lugarejo a uns cinco quilômetros abaixo das encostas de La Salette, tinham se conhecido havia menos de 24 horas, ao serem contratados para pastorear o gado nas encostas montanhosas, tendo obtido esse pequeno emprego de dois agricultores de Alandins, outra aldeia próxima.
Mesmo com esses antecedentes, essa notável aparição de Maria sofreria ataques acirrados de incrédulos que diziam que as crianças tinham simplesmente inventado toda a história.

A 0rdem dos apóstolos dos últimos tempos

Melânia com S. Aníbal, que deu início ao seu processo de beatificação
Esses fatores foram determinantes quando, em 1846, o bispo de Grenoble, Dom  Bruillard, após formar duas comissões de cônegos e professores que estudaram a fundo a mensagem, aprovou-a oficialmente.
A aprovação do bispo foi lida em todas as igrejas da diocese e, a seguir, enviada a Roma, que também a sancionou.
Convém ressaltar que ao falar Melânia sobre os “apóstolos dos últimos tempos”, a Virgem Santíssima lhe ditava a Regra que deveria nortear uma nova Ordem religiosa com características bem peculiares.
Depois de alfabetizada e após ter sido recebida pelo papa Leão XIII em Roma, a menina resolveu escrevê-la. O sumo-pontífice ordenou que lhe fosse dada toda a assistência para poder passar ao papel serenamente a Regra da Ordem dos Apóstolos dos Últimos tempos, desejada por Nossa Senhora.

Apesar de reconhecida oficialmente pelo bispo e pelo papa, uma repentina e implacável perseguição à mensagem de La Salette tomou vulto por parte do episcopado francês

Aldeia de La Salette por volta de 1860

Tudo parecia caminhar muito bem para essa aparição. Apesar de reconhecida oficialmente pelo bispo e pelo papa, uma repentina e implacável perseguição tomou vulto por parte do episcopado francês.
“Movidos por desvios religiosos de galicanismo ou de liberalismo católico e por ambições e interesses políticos... os bispos primeiro pressionaram os videntes para lhes revelarem a mensagem ainda secreta; em seguida perseguiram e desterraram Melânia e logo se puseram a intrigar em Roma, para impedir que se publicasse o segredo e se redigisse a Regra da Ordem dos Apóstolos dos Últimos Tempos”. (Cámpora) 

Uma mensagem que deveria ser espalhada foi sistematicamente escondida


O segredo que deveria ser espalhado, atendendo ao pedido de Maria Santíssima: “Façam conhecer isto a todo o meu povo”, foi sistematicamente escondido
Duas objeções a essa aparição centraram-se exclusivamente na sua mensagem.
A primeira, devido a causa de sua denúncia aos maus pastores da Igreja, aos “mercenários do templo”. Uma “denúncia materna, clara, implacável, sem véus ou diplomacia”. Muitos prelados sentiram-se atingidos e jogaram pesado para silenciar a voz que os alertava sobre o perigo, tentando assim por todos os meios proibir a divulgação da mensagem “anticlerical” de Nossa Senhora.
A segunda objeção era a sua conotação fortemente apocalíptica. A Virgem começava anunciando assombrosos castigos que se abateriam sobre a humanidade, ao atingir ela uma adiantada fase de apostasia (perda da verdadeira fé) e impiedade.
Portanto, o segredo que deveria ser espalhado, atendendo ao pedido de Maria Santíssima: “Façam conhecer isto a todo o meu povo”, foi sistematicamente escondido.
Assim, La Salette, que estava destinada a ser “um sinal velado de nuvens e atravessado de relâmpagos”, acabou se convertendo num lugar convencional de romarias, de oração e penitência.

Maria Santíssima se manifestou na montanha para transmitir uma profecia sobre o fim dos tempos

Um ano antes de sua morte, Melânia escreve: “Os bispos que consideraram o segredo como dirigido a eles foram grandes inimigos desta mensagem de misericórdia, justamente como os sumo sacerdotes que condenaram à morte o divino Salvador... De fato, eles tinham razão para reagir, pois o segredo não fazia mais que refletir suas vidas desviadas”
No entanto, não foi primeiramente para isto que Nossa Senhora se manifestou na montanha, mas sim para transmitir uma profecia sobreo fim de todos os fins e apresentar um plano de batalha, que possibilitasse evitar a catástrofe. 
Uma verdadeira guerra para impedir a divulgação da mensagem “anticlerical” de Maria Santíssima teve início com dom Ginoulhiac, sucessor de dom Bruillard na diocese de Grenoble.
Em 1854, um ato de verdadeiro abuso de autoridade, para livrar-se da incômoda vidente, desatendendo ao favor solicitado pela vítima, desterrou-a para um convento de clausura em Darlington, na Inglaterra, com ameaça de ex-comunhão caso retornasse à diocese. Espalhou a versão de que o texto do segredo estava recheado de “expressões hiperbólicas”.

Por isso, afirmações como “cloacas de impureza”, atribuída aos sacerdotes, não deviam ser entendidas em sentido literal.
Ao regressar Melânia à França em 1860, refugiando-se no carmelo de Marselha, apenas chegada, recebe a notícia de que dom Ginoulhiac, o bispo que a mandara para o exílio, tinha enlouquecido e morrera num manicômio.
Dom Fava foi seu sucessor. Acalentando ambiciosos planos a respeito do recém-construído santuário, que deseja transformar em pólo de grandes romarias, mostra-se ferrenho inimigo da mensagem, que é justamente a alma da aparição.
Ao saber o bispo que o papa Leão XIII deseja falar com a vidente para encorajá-la a fundar a Ordem pedida por Nossa Senhora, vai procurá-la em Altamura, onde a vidente passara a viver. Temendo que a publicação do segredo venha a prejudicar seus projetos, exerce forte pressão sobre Melânia para que se silencie.

Estranhas ocorrências com prelados opositores da mensagem de La Salette

O arcebispo de Paris, dom Georges Darboy, (1813 - 1871), foi acirrado inimigo da mensagem de La Salette
Estranhamente, pouco tempo depois, Dom Fava é encontrado morto em seu quarto, estatelado no chão, nu, olhos esbugalhados e punhos crispados.
Dom Gilbert, bispo de Amiens, que vociferara: “O segredo de La Salette não passa de uma trama anti-religiosa, feita de exageros e mentiras”, em 16 de agosto de 1889, foi igualmente encontrado morto no chão de seu quarto e, durante os funerais, o féretro tombou do catafalco.


O próprio arcebispo de Paris, dom Georges Darboy, que foi outro famigerado inimigo da mensagem de La Salette, interrogou pessoalmente Maximino coagindo-o para que lhe revelasse o segredo. Não obtendo o desejado, gritou-lhe: “As palavras da tua bela Senhora são cheias de estupidez, como estúpido deve ser o seu segredo”. Ao que o vidente lhe replicou: “Ele é tão veraz e tão certo que vi a bela Senhora, quanto, em menos de três anos, vossa excelência será fuzilado”. 
Admoestado em 1865 por Pio IX, por causa do seu aceso galicanismo, anos depois, durante o Concílio Vaticano I, esse arcebispo também se alinhou ao tristemente célebre monsenhor Dupanloup, contra o papa, desertando Roma num protesto silencioso contra a iminente definição da infabilidade pontifícia. E com essa atitude, esquivaram-se também em sustentar a fé de que Cristo esteve, está e sempre estará no leme de Sua Igreja, conforme Ele próprio prometera. 
De volta à França, o arcebispo Darboy cai vítima da fúria maçônica da Comuna. A caminho do muro do muro de fuzilamento, ele protesta, alegando que sempre defendera a liberdade. Ao que um dos verdugos lhe responde: “Cala-te! A tua liberdade não é a nossa!” Tal foi o triste fim do arcebispo de Paris, naquele 24 de maio de 1871. 
Como vimos anteriormente no tópico Mensagem de Maria Santíssima em Paris, França (1830), a Mãe de Jesus chorara diante de Cartarina Labouré a morte de “monsenhor, o arcebispo” quarenta anos antes, ao mesmo tempo que anunciava as “grandes calamidades” que sobreviriam, quando a cruz seria novamente “calcada aos pés”, o que se deu logo no início da guerra franco-prussiana”. 

Melânia escreve: “Os bispos que consideraram o segredo como dirigido a eles foram grandes inimigos desta mensagem de misericórdia, justamente como os sumo sacerdotes que condenaram à morte o divino Salvador..."

Melânia Calvat, morreu em 15 de dezembro de 1904

E quanto a mensagem de La Salette, todas essas hostilidades por parte de muitas autoridades eclesiásticas fizeram com que “as lágrimas de Maria e suas palavras fossem tão perfeitamente ocultadas que, sessenta anos depois, a cristandade ainda as ignora”, deplorava Léon Bloy em 1907.
Um ano antes de sua morte, Melânia escreve:
“Os bispos que consideraram o segredo como dirigido a eles foram grandes inimigos desta mensagem de misericórdia, justamente como os sumo sacerdotes que condenaram à morte o divino Salvador... De fato, eles tinham razão para reagir, pois o segredo não fazia mais que refletir suas vidas desviadas”.
É fato inconteste que essa manifestação de Maria Santíssima em La Salette trouxe enorme dissabores aos videntes.

Contínua jornada de desterro, amargura e solidão
 
Santo Aníbal com grupo de irmãs da congregação por ele fundada. Melânia ao centro. Ano de 1897
 
A vida de Melânia foi uma contínua jornada de desterro, amargura e solidão.

Consta que recebeu os estigmas e morreu em Altamura, sul da Itália, em 15 de dezembro de 1904.
Nutria sobre si mesma um modesto conceito, retratado nesta frase:

“Nossa Senhora procurou no mundo inteiro e como nada encontrou de mais baixo, viu-se obrigada e me escolher”.

Na noite de 14 para 15 de dezembro de 1904, com 72 anos de idade, Melânia faleceu em Altamura, província de Bari, Itália — sozinha num quarto, conforme tinha predito. Naquela noite os vizinhos ouviram um cântico de anjos que saía de seu apartamento. Santo Aníbal de França pronunciou ardoroso elogio fúnebre da vidente e de sua santidade nas catedrais de Altamura e Messina.

Santo Aníbal de França preparou seu processo de beatificação, mas não pôde introduzi-lo pois faleceu antes de conclui-lo. São Pedro Julião Eymard, fundador dos sacramentinos, morreu estreitando contra o peito uma imagem da aparição. O Papa São Pio X perguntou ao bispo que presidiu os funerais de Melânia:

“E nossa santa?”.

O testemunho de Maximino Geraud


Maximino entrou no seminário diocesano, destacando-se por sua seriedade e piedade.
O bispo de Grenoble, Mons. Ginoulhiac, declarado opositor da aparição, impôs-lhe como condição para ser ordenado: não mais falar do caso e silenciar o segredo que Nossa Senhora lhe pedira para divulgar. Maximino, no entanto, fiel ao seu papel de escolhido de Maria Santíssima, respondeu em carta:
“Se Sua Excia. Mons. Ginoulhiac tem a intenção de me paralisar antecipadamente, de não me deixar nem agir, nem falar nem escrever, quando a minha missão de apóstolo de La Salette me tornará obrigatório fazê-lo, pense antes de me dar sua opinião. Uma tal intenção no meu superior seria um sinal positivo de eu não ter vocação. Deus não iria me dar uma vocação sacerdotal diametralmente oposta à vocação que me vem de Maria: a de difundir em todo lugar e sempre, segundo as circunstâncias, suas advertências a seu povo. Eu não teria então outra coisa a fazer senão ingressar na nova milícia religiosa que combate voluntariamente e sem empecilhos, mas também por sua conta e risco, sem engajar em nada a responsabilidade dos pastores”

Indomável determinação em fazer a vontade de Nossa Senhora acima da vontade dos homens


Maximino deixou o exemplo de uma vida moral íntegra e de uma indomável determinação em fazer a vontade de Nossa Senhora acima da vontade dos homens
Maximino também transmitiu mensagens pessoais para personagens-chaves de seu tempo. Ao conde de Chambord, pretendente legitimista à coroa da França, tentou dissuadi-lo de reinar. Ao arcebispo de Paris, Mons. Darboy, predisse que morreria fuzilado, como de fato o foi pelos revolucionários da comuna de Paris. A Napoleão III, advertiu-o de sua próxima queda caso abandonasse o papa, como acabou acontecendo.
Maximino foi acolhido por uma família de Paris. Com a revolução da comuna de 1870 a casa foi tomada e ele acabou por morar ao relento, onde ficou gravemente doente.
Na mais extrema indigência, Maximin pediu a Mons. Ginoulhiac um lugar onde pudesse morrer dignamente. O prelado recusou o pedido.
Em 1º de março de 1875, aos 39 anos de idade, entregou sua alma a Deus em sua cidade natal de Corps. Deixou o exemplo de uma vida moral íntegra e de uma indomável determinação em fazer a vontade de Nossa Senhora acima da vontade dos homens. Seu coração foi depositado na basílica de La Salette, e seu corpo no pequeno cemitério de Corps.

"Há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”

S. João Maria Vianney tinha grande fé em La Salette

São João Maria Vianney deixou seu testemunho favorável à mensagem de La Salette e a Maximino, por ocasião de uma maledicência.
O próprio Cura d'Ars dissipou as murmurações quando escreveu ao bispo de Grenoble:
“Tenho uma grande confiança em Nossa Senhora de La Salette; faço vir água da fonte; abençôo e distribuo grande quantidade de medalhas e imagens representando esse fato; distribuo pedacinhos da pedra sobre a qual a Santa Virgem teria sentado, levo um pedaço continuamente comigo e até o fiz pôr num relicário. Falo muito freqüentemente do fato na Igreja. Parece-me, Monsenhor, que há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”. 

Melânia e Maximino entraram na iconografia católica aos pés de Nossa Senhora

Contraditados, antipatizados, difamados e perseguidos por alguns, mas apreciados, defendidos e protegidos por pessoas virtuosas e mesmo santas, Melânia e Maximino entraram na iconografia católica aos pés de Nossa Senhora 

Mas tudo que aconteceu em La Salette, a aparição de Maria Santíssima, suas graves admoestações de Mãe à Igreja e à toda humanidade, todas as perseguições por parte de elementos do clero e das pessoas seculares, seria apenas o prenúncio dos terríveis tempos que viriam pela frente.

O mundo passaria a rejeitar voluntariamente cada vez mais seu Criador. O ocidente se oporia frontalmente aos princípios da moral cristã até perder sua própria identidade, chafurdando numa sucessão de ideologias antiteístas que nada mais fizeram do que gestar e parir a “nova era” ou “mundo globalizado”.

E hoje tentamos compreender, estarrecidos, o que realmente tem dado errado na história...

Conforme ressalta Luis Eduardo Dufaur em seu artigo Vida e morte dos videntes de La Salette, contraditados, antipatizados, difamados e perseguidos por alguns, mas apreciados, defendidos e protegidos por pessoas virtuosas e mesmo santas, Melânia e Maximino entraram na iconografia católica aos pés de Nossa Senhora, nas inúmeras imagens de La Salette que se veneram em toda a Terra.
O santuário de La Salette está localizado em uma alta pastagem alpina a uma altitude de cerca de 6000 pés, cerca de 9 milhas da cidade mais próxima


Reconhecimento pela Igreja

A 19 de setembro de 1851, D. Felisberto de Bruillard, Bispo de Grenoble, finalmente publica uma "circular doutrinal".

Eis a passagem principal: "Segundo o nosso julgamento, a aparição da Santíssima Virgem a dois pastores, a 19 de setembro de 1846, sobre uma montanha da cadeia dos Alpes, situada na Paróquia de La Salette, no arquidiocese de Corps, traz em si mesma todos as características da verdade, e os fiéis têm fundamento para acreditar nela como indubitável e certa."

A repercussão desta circular é enorme. Numerosos Bispos determinam que seja lida nas paróquias das respectivas dioceses. A imprensa toma conta dela para o melhor e o pior. Traduzida em diferentes línguas, é publicada nomeadamente no Osservatore Romano de 4 de Junho de 1852. Cartas de felicitações afluem à Diocese de Grenoble.

A experiência e o sentido pastoral de D. Felisberto de Bruillard não pára por aqui. A 1 de Maio de 1852 publica nova circular, anunciando a construção de um santuário na montanha de La Salette, e a criação de um corpo de missionários diocesanos a quem dá o nome de "Missionários de Nossa Senhora de La Salette". Mas acrescenta: "A Santíssima Virgem apareceu em La Salette para o mundo inteiro, quem pode duvidar disso?". O futuro irá confirmar e ultrapassar estas expectativas. A passagem estava assegurada. Pode pois dizer-se que Maximino e Mélanie cumpriram a sua missão.

Em 19 de Setembro de 1855, D. Gonoulhiac, novo bispo de Grenoble, resumia desta forma a situação: "A missão dos pastores acabou, agora começa a da Igreja". Hoje, numerosos são os homens e mulheres de todas as raças e de todos os países que encontraram na mensagem de La Salette o caminho da conversão, o aprofundamento da fé, o dinamismo para a vida quotidiana, as razões do compromisso com e em Cristo ao serviço dos homens. 


APARIÇÕES DE JACAREÍ-SP-BRASIL

TELEFONE DO SANTUÁRIO:
(0XX12) 99701 2427


WEBTV DA ESCOLA DE SANTIDADE DE NOSSA SENHORA:
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